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O complexo e imprevisível pós-Merkel

Sondagens apontam para empate técnico entre os dois maiores partidos.

Está renhida a batalha eleitoral marcada para domingo na Alemanha que colocará fim aos 16 anos de liderança de Angela Merkel. Algumas sondagens apontam para a existência de um empate técnico entre os dois maiores partidos.

Se as eleições são este domingo, a saída efetiva da "Mutti" - "mãezinha", como é carinhosamente chamada - pode demorar bastante mais tempo.

As intenções de voto estão fragmentadas e surge a hipótese de um empate técnico entre os dois partidos da atual coligação no poder: os sociais democratas do ministro das Finanças, Olaf Scholz, e os cristãos democratas da chancheler agora de saída, penalizados pela escolha de um substituto menos carismático.

“A questão central será o que acontecerá com esses eleitores da CDU / CSU que votaram na CDU / CSU em 2017, mas, desta vez, não querem realmente votar neles novamente por causa de Armin Laschet, por causa do candidato. E então a questão-chave é se esses eleitores vão superar a barreira de Laschet e votar na União, apesar de Laschet", diz o analista político Peter Matuschek.

O grande número de indecisos fará pender a vitória para um dos lados, mas, ainda assim, não é certo que uma grande coligação com os dois maiores partidos seja suficiente, podendo ser necessário um terceiro.

"Já que ainda não podemos votar, temos que fazer nossa voz ser ouvida de outra forma", diz um jovem alemão de 16 anos e que ainda não tem idade para votar.

Muitos dos jovens que participaram na greve climatica desta sexta-feira, em frente ao parlamento alemão, em Berlim, não têm ainda idade para votar, nem conheceram outra chefe de Governo que não Angela Merkel, mas os pais e avós não têm duvidas em quem votar.

"Espero que os Verdes assumam a responsabilidade no novo Governo, para que finalmente vejamos uma mudança. Precisamos, desesperadamente, de uma mudança de política, caso contrário, não seremos capazes de impedir a mudança climática", refere outra protestante, Birgit Leyendecker.

Já estiveram na liderança das intenções de voto, mas os Verdes caem agora para a terceira posição, com cerca de 16 pontos percentuais,
mais 6 do que os liberais, que estão empatados com a extrema-direita da AFD.

O Die Linke, partido de Esquerda, tem 5 por cento das intenções de voto e uma certeza:

"A situação é clara para nós: não o elegeremos chanceler, Sr. Laschet, e não o elegeremos ministro das Finanças, Sr. Lindner."

Nas últimas eleições, em 2017, foram precisos quase seis meses para haver entendimento entre os dois atuais partidos da coligação.

A repetir-se, até lá, a chefia do Governo continuará a caber a Angela Merkel.

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