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Consórcio de jornalistas da investigação Pegasus vence prémio europeu de jornalismo

JACK GUEZ

Primeira vez que o prémio Daphne Caruana Galizia para Jornalismo é atribuído pela União Europeia.

O consórcio de jornalistas da investigação do Projeto Pegasus sobre ciberespeionagem a jornalistas, ativistas de direitos humanos e dissidentes políticos, ganhou o primeiro prémio de jornalismo Daphne Caruana Galizia, atribuído pelo Parlamento Europeu.

Em comunicado, o Parlamento Europeu diz que a "divulgação sem precedentes de mais de 50.000 números de telefone selecionados para vigilância pela empresa israelita NSO Group mostra como essa tecnologia tem sido sistematicamente abusada durante anos”.

A lista foi obtida pela organização sem fins lucrativos de jornalismo Forbidden Stories e pelo grupo de direitos humanos Amnistia Internacional e partilhada com 16 organizações de notícias.

Os jornalistas conseguiram identificar mais de 1.000 indivíduos em 50 países que foram supostamente selecionados por clientes da NSO para vigilância.

Estão incluídos 189 jornalistas, mais de 600 políticos e funcionários de governos, pelo menos 65 executivos, 85 ativistas de direitos humanos e vários chefes de Estado, de acordo com o The Washington Post, um dos elementos do consórcio.

Os jornalistas trabalham para organizações como a Associated Press, Reuters, CNN, The Wall Street Journal, Le Monde e The Financial Times.

Este prémio tem o nome de Daphne Caruana Galizia em homenagem à jornalista de investigação de Malta, morta num ataque há quatro anos.

A cerimónia de entrega do prémio realizou-se esta manhã na sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, onde o secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas, Anthony Bellanger, em representação dos 29 membros do júri europeu entregou o prémio de 20 mil euros aos representantes do consórcio, Sandrine Rigaud e Laurent Richard.

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