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Musk diz que compra do Twitter pode avançar se empresa divulgar detalhes sobre 'bots'

Musk diz que compra do Twitter pode avançar se empresa divulgar detalhes sobre 'bots'

Twitter recusou comentar as declarações do multimilionário.

O empresário Elon Musk voltou este sábado a insistir que a planeada aquisição da plataforma social Twitter, no valor de 44 mil milhões de dólares, poderá avançar se a empresa divulgar detalhes sobre a percentagem de contas automatizadas.

O multimilionário e presidente da Tesla tem estado a tentar recuar no acordo que anunciou em abril para a compra da tecnológica, o que levou a administração do Twitter a processá-lo no mês passado para que a aquisição avançasse.

Musk, desde então, contra-atacou, acusando a plataforma de enganar a sua equipa sobre a verdadeira dimensão da sua base de utilizadores e outros problemas que, a seu entender, configuravam fraude e quebra do contrato.

"Se o Twitter simplesmente fornecer o seu método de amostragem de 100 contas e como se confirma que estas são reais, o acordo deve prosseguir nos termos originais", 'tweetou' Musk durante a manhã.

No entanto, o empresário alertou que "se se verificar que os ficheiros no SEC [Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos] são materialmente falsos", então o negócio "não deve" continuar.

Elon Musk desafiou ainda o presidente do Twitter, Parag Agrawal para um "debate público sobre a percentagem de 'bots' entre o universo de utilizadores da plataforma.

Twitter recusa comentar as declarações

De acordo com a Associated Press (AP), o Twitter recusou comentar as declarações. A empresa apresentou repetidamente estimativas à SEC de que menos de 5% das contas de utilizadores são falsas ou 'spam', salvaguardando que a percentagem poderá ser maior. A agência noticiosa norte-americana acrescenta que Elon Musk renunciou ao direito a uma maior 'due diligence' quando assinou o acordo de fusão em abril.

Elon Musk notificou no início de julho a sua intenção de cancelar a compra da tecnológica, argumentando que a empresa sediada em São Francisco, Califórnia, mentiu sobre a percentagem de contas automatizadas.

A intenção não foi bem recebida pelo Conselho de Administração da empresa, que respondeu com uma ação judicial num tribunal de disputas comerciais para o forçar a concluir a transação, estando o julgamento marcado para outubro e prevê-se que se prolongue por cinco dias.

O tribunal com sede em Wilmington, no estado norte-americano do Delaware, aceitou, nesse mês, um pedido da plataforma social para acelerar a compra, depois de Musk ter pedido para que o julgamento fosse adiado, na melhor das hipóteses, até fevereiro de 2023.

Os advogados de Musk insistiram que a "disputa sobre contas falsas e 'spam' é fundamental para o valor do Twitter" e pediram "tempo substancial" para a realização de uma investigação, tendo considerado que é "desnecessário" seguir um "calendário vertiginoso.

Na quinta-feira, os advogados do Twitter registaram que a posição de Elon Musk retrata uma história "contrariada pelas provas e pelo senso comum".

"Musk inventa representações que o Twitter nunca fez e depois tenta empunhar, seletivamente, os extensos dados confidenciais que o Twitter lhe forneceu para conjurar uma violação dessas supostas representações", escreveram, citados pela AP.

Acionistas do Twitter votam compra de Elon Musk em setembro

O Twitter convocou os seus acionistas para participarem numa reunião extraordinária no dia 13 de setembro através de conferência telefónica para aprovarem ou não a compra nos termos acordados em abril.

O Conselho de Administração do Twitter apelou aos acionistas para validarem o negócio, explicando que seria o último passo para a sua conclusão, embora tenham, também, afirmado este mês que a conclusão do negócio dependerá do "litígio pendente".

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