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Sondagem aponta vitória do MPLA com "queda sistemática" e "resultado histórico" da UNITA

Opinião

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Ricardo Costa analisa as eleições em Angola.

Uma sondagem, divulgada esta quarta-feira pela televisão pública de Angola, aponta uma vitória do MPLA com 53,6% dos votos. A UNITA surge em segundo com 42,4%. Ricardo Costa, diretor de informação da SIC Notícias, analisa o processo eleitoral e considera que, se o resultado se confirmar, representa “uma queda sistemática” do MPLA.

“Caso venha a ser um resultado parecido com este, mostra uma queda sistemática. O MPLA vinha de 80%, para 70%, para 60% e agora para 50%”, afirma o jornalista, ressalvando que se trata, no entanto, de uma “vitória indiscutível” do partido em funções desde 1975.

Por outro lado, o resultado da UNITA representa um "resultado histórico", ultrapassando o recorde obtido em 1992, com Jonas Savimbi - "antes do recomeçar da guerra civil em Angola”, lembra Ricardo Costa - quando o partido se ficou pelos 30%.

Se por um lado, com este resultado, a UNITA mostraria “estar a crescer permanentemente”, por outro o MPLA, “mesmo ganhando as eleições, está num plano inclinadíssimo de eleição em eleição”. E essa queda surge como alerta para o Governo de João Lourenço.

Ricardo Costa lembra que o mandato do Governo que agora vencer as eleições enfrenta “uma encruzilhada muito complexa”, seja devido à questão económica ou à alteração demográfica e sociológica que o país atravessa. Nos últimos anos, Angola recebeu ajuda do FMI, enfrentou problemas no pagamento da dívida e sofre com uma economia demasiado presa à produção petróleo.

Além disso, a região de África Subsariana enfrenta uma alteração demográfica e sociológica, com um grande crescimento do ponto de vista populacional. “Em Angola, segundo dados oficiais, 60% da população tem menos de 25 anos”, sublinha o jornalista, acrescentando que os jovens procuram uma mudança política.

“Se a UNITA estivesse no poder, se calhar, estariam a votar noutro partido. Países que têm essa bomba demográfica, no bom sentido, têm um problema político de como lidar com tanta juventude. Sobretudo quando não há emprego – mais de 50% das pessoas em idade ativa estão desempregadas”, destacou ainda Ricardo Costa.

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