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"Prioridade" é evitar uma guerra entre potências nucleares, afirma Moscovo

"Prioridade" é evitar uma guerra entre potências nucleares, afirma Moscovo
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O jornal norte-americano New York Times tinha avançado esta quarta-feira que as altas patentes russas estiveram reunidas para discutir como e quando poderá ser utilizada uma arama nuclear na Ucrânia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo definiu esta quarta-feira como "prioridade principal" evitar uma guerra entre potências nucleares.

Numa fase em que a tensão entre Moscovo e Kiev está a aumentar, a diplomacia russa afirma que uma guerra desta dimensão teria "consequências catastróficas".

"Na fase difícil e turbulenta que atravessamos (...), a principal prioridade é evitar qualquer confronto entre as potências nucleares", lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros citado pela France Press.

A Rússia apela aos outros países com armas nucleares para evitarem um confronto com Moscovo e recordou que a doutrina nuclear russa prevê a utilização "estritamente defensiva" deste armamento no caso de o país sofrer um ataque com armas de destruição maciça ou em caso de agressão com armas convencionais que ameace a "própria existência do Estado".

O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, voltou a repetir a ideia de que a Ucrânia está pronta para acolher armas nucleares dos membros da NATO.

"Sabemos das tentativas de Kiev para criar uma 'bomba nuclear suja' e também da sua prontidão para colocar armas nucleares dos países da NATO no seu território", disse Shoigu, segundo a EFE.

Shoigu culpou Washington e as capitais europeias por "ignorarem a chantagem nuclear de Kiev" e as "suas provocações contra a central nuclear de Zaporijia", a maior da Europa e que está sob o controlo das forças russas.

A reunião das altas patentes russas que fez soar alarmes

Antes deste comunicado de Moscovo ser conhecido, o jornal norte-americano New York Times tinha avançado esta quarta-feira que as altas patentes russas estiveram reunidas para discutir como e quando poderá ser utilizada uma arama nuclear na Ucrânia. Vladimir Putin não esteve nesta reunião, mas o encontro foi o suficiente para soarem os alarmes nos EUA.

O jornal acrescenta também que a informação terá chegado às autoridades norte-americanas em meados de outubro, o que fez aumentar a preocupação de Washington e dos aliados sobre a situação da guerra na Ucrânia. Apesar de não terem sido detetados indícios de que Moscovo está a colocar em marcha um ataque desta escala, os EUA não descartam que as ameaças de Putin podem não ser só ameaças vazias.

Questionado sobre o artigo do New York Times, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acusou o Ocidente de estar a inflamar o assunto e assegurou que Moscovo não pretende entrar nessa discussão.

"Temos de notar que no Ocidente, a nível oficial e nos meios de comunicação social, a questão das armas nucleares está a ser deliberadamente inflacionada", comentou Peskov, citado pela agência espanhola EFE.

No entanto, o ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, tinha sugerido na terça-feira que a alternativa à vitória da Rússia na Ucrânia é uma "guerra mundial com o uso de armas nucleares".

Estes desenvolvimentos surgiram no mesmo dia em que o antigo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson,