Mundo

Fim da polícia da moralidade: Governo de Teerão não confirma nem desmente

Loading...

O Centro de Promoção da Virtude e Proibição do Vício do Irão avança que estão a ser estudadas novas tecnologias para controlar o vestuário das mulheres.

Mais de 500 pessoas já terão sido executadas no Irão, este ano, segundo as organizações não governamentais (ONG) de direitos humanos que trabalham no país. Já estão marcadas as execuções de seis participantes nas manifestações das últimas semanas. Entretanto, o Governo de Teerão não confirma a extinção da polícia da moralidade e já há mais protestos marcados para os próximos dias.

O regime de Teerão não perde tempo: esta segunda-feira já confirmou a condenação à morte de, pelo menos, seis pessoas que participaram nas manifestações das últimas semanas. Um porta-voz diz que as execuções estão para breve. Há, ainda, outros 2.000 acusados, dos quais 21 enfrentam a pena capital.

As ONG dizem que as execuções no Irão aumentaram este ano. Muitas vezes, acontecem poucos meses depois da detenção dos suspeitos e após julgamentos sumários, sem direito a recurso. Já serão mais de 500 as pessoas executadas em 2022. O número de mulheres que morreram nestas condições é o mais alto dos últimos 5 anos.

Nada parece demover os grupos que organizam os protestos. Para os próximos dias, foram marcadas novas marchas e greves nas principais cidades do Irão. A revolta popular começou em setembro, depois da morte de uma jovem mulher, de 22 anos, que tinha sido detida pela polícia da moralidade, acusada de usar o véu islâmico de forma incorreta.

O Governo de Teerão não confirma nem desmente a suposta suspensão das atividades da polícia da moralidade, cujo fim tinha sido anunciado no fim de semana pelo Procurador-geral. Alguns jornais locais dizem que as declarações do magistrado foram mal interpretadas.

Polícia da moralidade poderá ser substituída por "novas tecnologias"

O Centro de Promoção da Virtude e Proibição do Vício do Irão afirmou esta segunda-feira "que a missão da polícia da moralidade terminou", mas sublinhou que estão a ser estudadas novas tecnologias para controlar o vestuário das mulheres.

"A missão das patrulhas da polícia da moralidade terminou", declarou Ali Janmohamadi, porta-voz do Centro de promoção da virtude e proibição do vício, em declarações ao diário Jamaran.

No entanto, Janmohamadi indicou que "estão a ser tomadas decisões sobre a castidade e o véu, para que, se Alá quiser, se apliquem num âmbito mais moderno, com o uso de novas tecnologias".

O funcionário defendeu que existe um forte sentimento popular para que se respeitem "a castidade e o hijab", véu feminino, pelo que "as autoridades policiais e judiciais devem tomar medidas".

As autoridades iranianas utilizam tecnologias, incluindo câmaras rodoviárias, para multar as mulheres que conduzem sem o véu obrigatório, e que podem implicar até dois meses de prisão.

Últimas Notícias
Mais Vistos