Foram condenadas em Paris esta segunda-feira as dez pessoas que estavam a ser julgadas por suspeitas de assédio online à primeira-dama francesa, Brigitte Macron. Os arguidos terão feito comentários ofensivos sobre o género e sexualidade de Brigitte Macron.
O tribunal de Paris considerou provado o assédio online contra a primeira-dama francesa, tendo condenado os oito homens e duas mulheres a penas de até oito meses de prisão suspensa, segundo a France Info.
Em entrevista à TF1 na noite de domingo, Brigitte Macron defendeu a luta contra estas pessoas, esperando que tal sirva de exemplo para outras pessoas. Segundo apontou, os ataques online de que era alvo pareciam intermináveis e incluíam pessoas que modificaram a sua identidade. Contestou ainda o facto de os cyberbullies ignorarem inclusive documentação que provava o seu género.
"Uma Certidão de Nascimento não é pouca coisa. É um pai ou uma mãe que declaram a sua criança, que dizem quem ele ou ela é”, afirmou.
Diziam que Macron era transgénero
Os agora condenados difundiram a ideia, que viralizou, de que Brigitte é transgénero. Entre os acusados estão uma autoridade eleita, um galerista, um professor, um médium e até um informático.
Além de terem acusado Brigitte de ser transgénero, os arguidos, com idades entre 41 e 60 anos, terão ainda afirmado que a diferença de 24 anos de idade em relação ao marido, Emmanuel Macron, constitui "pedofilia", de acordo com o Ministério Público de Paris.
O julgamento surgiu depois de o casal ter movido uma ação judicial nos Estados Unidos no final de julho de 2025 por difamação, já após ter sido difundida uma notícia falsa sobre a suposta identidade de género da esposa do chefe de Estado.
Macron quis provar que a mulher Brigitte não nasceu homem
A alegação de que a primeira-dama francesa não é do género feminino tem sido repetida também por uma influencer norte-americana aliada de Donald Trump, motivo pelo qual Macron moveu o processo nos EUA.
Candace Owens afirma que a mulher de Emmanuel Macron é um homem. As alegações da influencer de extrema-direita arrastam-se em publicações na internet com milhões de seguidores.
Fotos, documentos e factos distorcidos que visam induzir, com falsos argumentos, a ideia de que o presidente francês não está casado com uma mulher e que França esconde um segredo há décadas, uma tese que tem viralizado nas redes sociais.
O casal Macron cansou-se de ver esta alegação difundir-se online e decidiu levar à justiça quem a continue a alimentar.
