Shumirai Rwazemba é uma jovem cineasta de apenas 24 anos que regista apenas com o telemóvel o quotidiano de Harare, capital do Zimbábue. As imagens que captou nas ruas e mercados da cidade serviram de base à curta-metragem que lhe valeu uma distinção no Festival de Cinema Europeu no Zimbábue.
É um documentário dedicado às mulheres, nas quais Shumirai Rwazemba se inspira. A jovem destaca o papel das zimbabuanas nas famílias e na economia do país – desde vendedoras ambulantes de legumes e roupa em segunda mão até trabalhadoras com emprego formal e artistas
"O que me inspirou foram basicamente as nossas mães, as nossas irmãs, as nossas tias, pessoas como eu, que se esforçam para fazer o melhor, tentando sobreviver, trabalhando nas ruas de Harare, só para pôr comida na mesa", contou a jovem à reportagem da agência Reuters, em Harare.
O Festival de Cinema Europeu no Zimbábue, que celebra este ano o 10.º aniversário, realiza-se este ano de 6 a 8 de junho. O evento tornou-se uma referência no panorama cinematográfico do país, oferecendo uma plataforma para jovens realizadores mostrarem os seus projetos.
Rwazemba conquistou o primeiro prémio com o documentário “Hustling Queens of Harare” (“Rainhas da Luta de Harare”), que dá voz a mulheres que enfrentam a adversidade económica com resiliência.
Este prémio marcou um ponto de viragem na vida de Shumirai Rwazemba:
"Estou mesmo entusiasmada com a ideia de fazer carreira no cinema", afirmou. "Quero produzir (...) por isso estou ansiosa por passar dos telemóveis para equipamento profissional a sério."
Cerca de 50% da população em situação de pobreza extrema
O Zimbábue é um país africano pobre, que vive uma prolongada crise económica, e o desemprego no setor formal continua a ser generalizado.
Em 2019, a taxa de pobreza era de 57%. Estimativas mais recentes sugerem que mais de 70% da população vive abaixo do limiar de pobreza, com cerca de 50% em situação de pobreza extrema.
A taxa oficial de desemprego foi de 21,8% no terceiro trimestre de 2024. No entanto, devido à predominância do setor informal, que emprega mais de 80% da força de trabalho, o desemprego efetivo pode ser significativamente maior.
