Opinião

... e  depois logo se vê...

Athit Perawongmetha

A opinião de Pedro Cruz.

Enquanto a «coisa» foi na China, lá longe - como se os vírus não apanhassem aviões à boleia de cidadãos que não sabem que estão infetados e não fossem, por isso, infectar outros - ... dizia eu que enquanto o vírus andava lá longe, pela China, parecia uma brincadeira porque era longe, era numa cidade, um problema dos chineses e dos países mais próximos, mais uns «quantos» infetados noutros países que, coitados, tinham vindo da China e arredores ou tinham estado com alguém que veio da China ou arredores.

Há semanas que não se fala noutra coisa e até a China, essa China, já reconheceu que no princípio não fez tudo bem , desvalorizou, não alertou.

Os políticos de alguns regimes, e de algumas democracias são assim: antes deixar alargar o vírus que aceitar que o virus existe e tem de ser combatido.

Quando a OMS entra com pezinhos de lã, a pedir desculpa à China por considerar que o mundo inteiro tem de estar alerta, a Pandemia ainda não era uma hipótese e os hospitais de campanha cresciam dia e noite.

A China, o regime opaco, mostrava as imagens dos pacientes com alta e ar de vitória.

Estava para acabar.

Primeiro eram 14 dias de quarentena, já vai em 21 e agora... agora, já não é lá longe, já é aqui ao lado, na Europa, imagine-se, em Itália, onde ninguém come macacos e miolos de animais mortos diante do cliente.

E, agora, a coisa está a qui a bater à porta e em Portugal, alegremente, vamos, - felizmente - dando conta dos casos suspeitos e despistados, como se continuássemos imúnes ao vírus.

No nosso nacional-porreirismo, acreditamos que a coisa não chega cá.

E se chegar são «dois ou três», e depois logo se vê, o Benfica há-de ganhar, o Porto está perto, o Marcelo foi ao Carnaval.

A mãe do meu colega está internada num corredor de hospital desde sexta, porque não há camas, só há médico na quarta-feira, porque terça é tolerância de ponto e depois logo se vê. A outra doutora só vem na quinta, colou o fim de semana e mais três dias.

O SNS rebenta pelas costuras, o pai do meu outro colega está dividido entre três hospitais, porque cada um tem as suas valências e o sr. anda de um para o outro consoante o exame que o Dr que não foi de carnaval decide que é para fazer.

E agora isto?

Nada.

Não há-de ser nada.

A ministra, que no Natal andava a fazer escalas de médicos na televisão nem aparece, pela DGS - que começou por dizer que as declarações do responsável da OMS no início eram um exagero e que não havia provas de transmissão entre humanos, - está tudo bem, o português do navio vem para terra que não aguentava estar fechado, e está tudo pronto, não se aflijam, a coisa não há-de chegar cá e se chegar são só dois ou três e depois logo se vê...

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