VENCEDOR. Comecemos pelo vencedor, que foi sem qualquer margem para dúvida Luís Montenegro e o seu PSD. Ao fim de muitos anos, os sociais-democratas retomam a liderança da poderosa Associação Nacional de Municípios, fruto de serem o partido com mais presidências de câmara no país. O PSD recuperou este domingo de uma desvantagem de mais de trinta câmaras para o PS (passou de 114 para 136). Além disso, os sociais-democratas triunfaram nas cinco maiores autarquias do país: Lisboa, Porto, Sintra, Gaia e Cascais.
DERROTADO. Um daqueles mantras na política é que, aconteça o que acontecer, o PCP e a CDU reclamam sempre vitória nas noites eleitorais. A verdade é que o embate foi tão forte que nem Paulo Raimundoontem conseguiu fazer tal exercício. Os comunistas passam de 19 para 12 câmaras em todo o país (no início da última década ainda mandavam em 34) e, sobretudo, perderam as suas joias da coroa, Setúbale Évora, as últimas capitais de distrito que ainda lideravam.
EXPECTATIVAS I. O PS, se compararmos com os resultados das últimas autárquicas, sofreu este domingo uma pesada derrota, ficando claramente atrás do PSD e perdendo nas maiores câmaras do país. Ainda assim, conseguiu manter-se como um grande partido autárquico nacional, obteve número de votos total no país semelhante ao de há quatro anos, e apesar de muitas derrotas significativas, também obteve vitórias saborosas: Évora, Coimbra, Viseu, Faro, Bragança. Sobretudo, depois de dois enormes desaires eleitorais em legislativas em 24 e 25, que o levaram de uma maioria absoluta a tornar-se a terceira força no país, o PS e José Luís Carneiro conseguiu agora respirar de alívio e manter-se à tona.
EXPECTATIVAS II. Eis outro caso em que a relação entre expectativas e resultados assume contornos importantes nestas autárquicas. O Chega de André Ventura vinha de zero câmaras no país e apenas 19 vereadores eleitos em todas as câmaras. Passou agora para três vitórias em câmaras municiais, São Vicente, Albufeira, Entroncamento, e multiplicou por sete o número de vereadores eleitos, além de ter conseguido 600 mil votos, três vezes o resultado de 2021. Ainda assim, depois de 1,4 milhões de votos nas legislativas e de ter ficado à frente em 60 câmaras nas eleições de maio, e depois de André Ventura ter apontado para a vitória em 30 câmaras, este resultado tem um sabor agridoce.
E três notas para o futuro político:
1. Luís Montenegro tem no Parlamento uma maioria relativa muito escassa e estas autárquicas poderiam ser, caso o seu partido fosse penalizado, um momento de dificuldade acrescida para o PSD. Em vez disso, Montenegro ganha força política e novo fôlego para prosseguir a governação.
2. José Luís Carneiro, com esta derrota honrosa, ganha também ele novo fôlego para continuar na liderança do PS e margem para poder vir a viabilizar o OE de 2026 e para decidir o apoio presidencial a Seguro, sem que sofra contestação relevante a nível interno.
3. Com os seus 137 vereadores eleitos por todo o país (mais que os 93 da CDU apesar de ter conquistado muito menos câmaras), o Chega vai ter oportunidade de ter poder real autárquico em muitos locais, viabilizando de forma direta ou indireta a governação dos presidentes eleitos por outros partidos. Já vamos muito longe do tempo em que ninguém queria falar com o Chega e as linhas vermelhas também se vão esbatendo. O próprio Montenegro sinalizou este domingo que entendimentos autárquicos do PSD com o Chega em câmaras podem acontecer, quando for necessário para a governabilidade autárquica.
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