Análise

“A defesa dos direitos humanos de que Eduardo Cabrita falou deixa muito a desejar” 

Bernardo Ferrão analisa as declarações do ministro da Administração Interna sobre a morte de Ihor Homenyuk no aeroporto de Lisboa.

“Eduardo Cabrita esteve muito acossado”

O ministro da Administração Interna congratulou-se esta quinta-feira pelo trabalho que fez no caso do cidadão ucraniano, Ihor Homenyuk, que morreu às mãos do SEF.

Eduardo Cabrita lamentou que alguns só agora se tenham juntado à defesa dos direitos humanos, referindo que os meios de comunicação só agora se interessaram pelo caso.

No Jornal da Noite da SIC, Bernardo Ferrão criticou as declarações de Eduardo Cabrita na conferência de imprensa desta tarde. Diz que o ministro esteve "muito acossado" e "atacou tudo e todos", incluindo um membro do seu partido. Nota ainda que “a defesa dos direitos humanos de que Eduardo Cabrita falou deixa muito a desejar”.

“Se alguém esteve desatento foi o Governo, sobretudo o Ministério da Administração Interna”

Bernardo Ferrão considera que o ministro da Administração Interna “devia ter tido uma atitude mais digna e humanitária perante tudo o que aconteceu”.

“Marcelo Rebelo de Sousa faz uma declaração que quase funciona nos dois sentidos que é: ou alguma coisa acontece ao SEF, ou alguma coisa terá de acontecer também com o ministro da Administração Interna. Quase fazendo lembrar aquela declaração que fez Marcelo Rebelo de Sousa após os incêndios em Pedrógão que levou à demissão de Constança Urbano de Sousa”, considerou.

“As palavras de Marcelo não convencem por completo”

Bernardo Ferrão diz o Presidente da República devia ter dado uma palavra à viúva do cidadão ucraniano, já que “é sempre muito rápido a reagir e a lançar notas de pesar e lamentar mortes não só em Portugal como em todo o mundo”. Sublinha que, por se manter em silêncio e não ter feito nada, Marcelo Rebelo de Sousa “não esteve bem”.