Na sexta-feira, o deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro votou contra a revisão do Código do Trabalho, por se opor à extinção do feriado da Restauração da Independência, a 01 de Dezembro.
Em reunião realizada no mesmo dia, o conselho nacional do CDS-PP discutiu a "divergência" e o presidente do partido, Paulo Portas, decidiu remeter para o grupo parlamentar a gestão do caso de violação da disciplina de voto.
Tal decisão, tomada "por unanimidade", reafirma "a confiança na direção do grupo parlamentar", disse hoje à Lusa o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, adiantando que o grupo parlamentar vai "clarificar os conceitos de liberdade de voto, de orientação de voto e de disciplina de voto".
O deputado disse ainda que esta "reflexão ampla, plural e abstrata" vai contar com "todos os deputados", incluindo Ribeiro e Castro. "É o que faremos de forma tranquila, depois de debate interno tranquilo, plural", referiu.
"Continuo a ser um deputado da maioria, continuo a apoiar este Governo, mas discordo fundamentalmente deste gesto", disse Ribeiro e Castro, na sexta-feira, a propósito da extinção do feriado do 01 de Dezembro, prevista no Código do Trabalho.
"O mais importante, a única questão verdadeiramente importante, é que não se elimine o feriado do 1º de Dezembro", realçou.
A atitude do deputado Ribeiro e Castro, "furando a disciplina de voto e votando contra um Código que é uma luta do CDS de há décadas e que é essencial para atrair investimento e recuperar emprego", é "inexplicável", considerou hoje o presidente da mesa do conselho nacional, António Pires de Lima.
Apesar disso, o dirigente centrista apela ao grupo parlamentar para "usar do sentido de magnanimidade e tolerância que muitas vezes alguns militantes do partido, que se julgam uma espécie de arautos da verdade e paladinos dos bons costumes, não usam".
Em declarações à Lusa, António Pires de Lima disse aceitar que haja "tolerância no tratamento desta divergência", mas espera também que, "em matérias de Estado (...), seja uma exceção episódica e que não se volte, obviamente, a repetir, porque isso seria grave, grave para a coesão do partido em matérias que são fundamentais à governação do país".
O grupo parlamentar, defende Pires de Lima, "deve, se possível, clarificar as regras" da disciplina de voto, tendo também em conta que o CDS-PP tem "obrigações específicas enquanto partido do Governo".
"O partido dispensa, neste momento, clivagens, divergências e é importante que (...) possa continuar a crescer, apesar de um erro individual de um deputado, que tinha e tem responsabilidades muito grandes enquanto representante do partido na Assembleia da República", frisou.
O dirigente centrista garantiu que a discussão de sexta-feira sobre as "divergências internas" foi feita num "clima de democracia, respeito e tolerância".
Lusa
