Isabel Moreira, da bancada parlamentar socialista, e José Ribeiro e Castro, do CDS-PP, desobedeceram na sexta-feira à orientação de voto dos respetivos grupos parlamentares na votação na generalidade às alterações ao Código do Trabalho, na Assembleia da República, o que já levou as direções dos dois partidos a anunciar uma análise das duas situações.
Hoje, à margem de uma manifestação de jovens no Chiado, Lisboa, em defesa dos direitos laborais e contra o desemprego e a precariedade, convocada pela CGTP -- Interjovem, Jerónimo de Sousa comentou o caso, dizendo que é o resultado de "contradições internas".
"A questão central continua a ser a posição dos partidos e grupos parlamentares. Isso é que é determinante, independentemente dessas contradições e dificuldades, a verdade é que a maioria PSD/CDS-PP aprovou, o PS continuou em cima do muro, (o que não é) nem uma coisa nem outra, e no fundo viabilizando. Isso é que é fundamental, o resto são contradições", defendeu o líder comunista.
Sobre a manifestação que juntou centenas de pessoas no Chiado ao início da tarde, Jerónimo de Sousa justificou a sua presença com uma "manifestação de solidariedade" para com as reivindicações dos jovens trabalhadores.
"Sendo para todos, estas medidas profundamente gravosas têm um alvo principal que é a juventude trabalhadora, a juventude a quem procuram negar o emprego e fundamentalmente direitos que outras gerações conquistaram", defendeu, falando num retrocesso social e civilizacional com a aprovação da revisão do Código do Trabalho.
"Tentar renegar direitos àquela força que é o presente e o futuro naturalmente não é a perspetiva de uma democracia avançada. Nesse sentido, deixo hoje aqui uma grande saudação de solidariedade para com toda a juventude portuguesa, pelo seu direito a ter direitos e a ter futuro", acrescentou.
O secretário-geral do PCP voltou a afirmar que o país e o Governo não podem incentivar a emigração dos mais novos, afirmando a sua convicção de que "os jovens portugueses querem ser úteis ao país".
"É uma manifestação que nos toca muito. Afinal, a juventude ainda não desistiu", disse.
Questionado sobre a carga policial na última greve geral e sobre as expetativas em relação à forma como a manifestação de jovens iria decorrer hoje, Jerónimo de Sousa sublinhou que o direito de manifestação é "um direito constitucional que não pode ser negado".
"Serenidade não significa menos confiança, nem menos seriedade ou combatividade. Espero uma manifestação combativa dentro do quadro que a Constituição da República reconhece", declarou Jerónimo de Sousa.
O líder comunista recusou comentar a notícia da edição de hoje do semanário Expresso, que refere que a Inspeção-Geral da Administração Interna vai apresentar as conclusões do inquérito aos incidentes no Chiado no início da próxima semana. Segundo o jornal, os trabalhos apontam para "falhas na atuação da polícia", indica que os agentes envolvidos deverão "enfrentar processos disciplinares" e a PSP será "aconselhada a alterar procedimentos em futuros protestos".
"A minha tomada de posição nunca tem como referência o Expresso, preferia não precipitar-me na resposta com base no Expresso", disse Jerónimo de Sousa.
Lusa
