País

Ana Rita Cavaco "terá sido a primeira líder populista que Portugal teve"

Entrevista a Mário André Macedo, enfermeiro opositor da bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

Mário André Macedo, enfermeiro especialista em saúde infantil e pediátrica e mestre em Saúde Pública, afirmou esta terça-feira na Edição da Noite que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros é uma líder populista.

Fez parte da lista que se opôs à candidatura de Ana Rita Cavaco e que acabou por sair derrotada. Em entrevista à SIC Notícias, Mário André Macedo referiu que as explicações da bastonária sobre a presença no comício do Chega não o convenceram e que o episódio veio criar um mau-estar generalizado na classe.

"A cidadã Ana Rita vai ao congresso do Chega, tem todo o direito de ter amigos, mas se ela vai cumprimentar o amigo porque é que isso é um ato público?", questionou, acrescentando que a bastonária se podia ter recusado a dar uma entrevista à agência Lusa, bem como a se deixar fotografar.

"Típico de uma líder populista"

Mário André Macedo diz que o mau-estar na classe se faz sentir nas redes sociais, mas Ana Rita Cavaco culpa a oposição interna e externa por essas queixas. O enfermeiro explicou que os opositores internos são um grupo informal, heterogéneo, que não tem acesso a nenhum poder nem a fundos.

"É curioso...a oposição que ela gosta muito de brandir...esse fantasma dos opositores internos e dos opositores externos. É típico de uma líder populista", afirmou.

Lembra que Ana Rita Cavaco se apresentou como "alguém fora do sistema", apesar de ter participado no Governo de Durão Barroso e de ter feito o seu percurso no PSD, uma posição que considera legítima.

"Ela é alguém que divide para reinar, não procura construir pontes. A postura sempre foi: ou estás connosco ou estás contra nós", disse.

Castração química

Em entrevista, Ana Rita Cavaco disse que não tinha uma opinião formada sobre a castração química de pedófilos, uma medida defendida pelo partido de André Ventura.

Mário André Macedo lembra que, nessa mesma entrevista, a própria disse que tinha conhecimento nessa área e que sabia que a castração química não era eficaz.

"Se ela disse que a castração química não é eficaz, não percebo porque não tira a conclusão óbvia", concluiu o enfermeiro.