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Caso SEF. “A única resposta que Eduardo Cabrita poderia dar era assumir o erro”

Cristina Figueiredo considera que a decisão do ministro de não responder às perguntas dos deputados “foi uma estratégia deliberada”.

O caso do SEF continua a colocar pressão sobre o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Quase todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do PS e do PCP, exigem a demissão do ministro. Esta terça-feira, Cabrita foi ouvido no parlamento, mas não respondeu a grande parte das questões colocadas.

“Foi uma estratégia deliberada mesmo. Porque, já percebemos também em ocasiões anteriores, Eduardo Cabrita é uma pessoa que também se irrita com alguma facilidade e se entrasse na resposta a cada uma das perguntas, de uma forma também provocatórias, que a oposição lhe estava a fazer, provavelmente o espetáculo não podia ser bonito”, explica Cristina Figueiredo, editora de política da SIC Notícias.

Para a jornalista, “a única resposta que ele poderia dar era assumir o erro, assumir que errou e tirar daí as devidas consequências”. No entanto, o aceitar da responsabilidade política sobre a morte de Ihor Homeniúk, Cabrita teria de abandonar o cargo que exerce desde 2017. “Isso ele não quer ou não pode fazer”, acrescenta Cristina Figueiredo.

Eduardo Cabrita “é uma peça importante neste Governo”, principalmente para António Costa que também tem demonstrado não gostar de agir sob pressão. Para além disso, a editora de política lembra que Portugal está atualmente num estado de emergência e que é a Administração Interna que gere essa questão.

“Estamos a viver um período de estado de emergência e a tutela direta do estado de emergência é o ministro da Administração Interna. Portanto estar a mudar este general a meio desta batalha que continua a ser muito complicada que é a pandemia se calhar era mais um fator acrescido de ruído”, lembra ainda a jornalista.