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Mentira terá estado na origem do espancamento de Ihor Homeniuk

SIC

Os três inspetores terão decidido vingar uma suposta agressão.

Uma mentira terá estado na origem do espancamento de Ihor Homeniuk.

Na mudança de turno dos inspetores do SEF e dos seguranças, o responsável da empresa de segurança recebeu a informação de que um dos seus homens tinha sido agredido por um cidadão ucraniano com um sofá e tinha ficado a coxear.

De acordo com a investigação da Inspeção-Geral da Administração Interna e do Ministério Público, o responsável pediu aos inspetores que tinham acabado de entrar ao serviço para averiguarem a situação.

Os três inspetores terão decidido vingar a suposta agressão. Suposta porque nunca terá passado de um boato, porque Ihor nunca bateu em ninguém. Quando foi ouvido, o segurança Paulo Marcelo negou ter sido agredido.

Eduardo Cabrita admite erros "quer de tempo quer de avaliação"

O Ministro da Administração Interna admite que cometeu erros "quer de tempo quer de avaliação" no caso da morte do cidadão ucraniano às mãos do SEF. Em entrevista ao Jornal Público e à Rádio Renascença, Eduardo Cabrita reconhece que a diretora do SEF podia ter sido demitida há nove meses.

PORQUE RAZÃO EDUARDO CABRITA NÃO SE DEMITIU?

Nove meses depois do cidadão ucraniano ser torturado e morto por três inspetores do SEF, o ministro da Administração Interna explica porque razão não se demitiu.

“O único dia em que essa questão se colocou foi no dia 30. Acha que em pleno Estado de Emergência tinha sentido abandonar o combate?”, questionou.

Eduardo Cabrita mandou abrir um inquérito à morte de Ihor Homeniúk 16 dias depois da autópsia identificar marcas de extrema violência no corpo do cidadão ucraniano e da Polícia Judiciária receber uma denuncia anónima a alertar para indícios de crime nas instalações SEF.

“Eu cometo erros, quer de tempo quer de avaliação, mas no contexto do que era possível fazer face à tragédia com que fomos confrontados, o essencial foi feito a dia 30”, garantiu.

Um dia antes, a 29 de março, três inspetores do SEF são detidos por fortes indícios do homicídio e a então diretora do SEF demite, por decisão do ministro, o diretor e sub diretor do SEF de Lisboa. Mas Cristina Gatões continuou no cargo mais nove meses.

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