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Hospital quer incluir Constança Braddell em programa de acesso a medicamentos não autorizados

O Infarmed avança que não foi submetido nenhum pedido de aprovação do medicamento para tratar a fibrose quística.

Constança Braddell tem 24 anos e está a travar uma luta pela vida. Sofre de fibrose quística, uma doença incurável e mortal que se agravou muito nos últimos meses e que a obrigou ao internamento hospitalar. Há um medicamento que pode ajudar, mas não existe me Portugal. Para ser usado precisa da autorização das autoridades de saúde.

Em seis meses tudo virou do avesso: Constança perdeu 13 quilos, ganhou internamentos, consultas, uma máquina de oxigénio 24 horas por dia e um ventilador não invasivo para dormir e continuar a respirar.

Não há cura para a fibrose quística, uma doença genética, hereditária e rara que, no caso de Constança, foi diagnosticada à nascença. No estrangeiro há uma terapêutica revolucionária que pode corrigir o defeito molecular da doença e ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Esta terapêutica já passou pelo crivo da Agência Europeia do Medicamento (EMA) em agosto de 2020, mas a comercialização em Portugal depende da luz verde do Infarmed, que o regulador dá depois de receber um pedido especial de autorização por parte da comissão da farmácia do hospital.

Contactado pela SIC, a entidade garante, em comunicado, que até esta sexta-feira “não foi submetido ao Infarmed o pedido de autorização de utilização especial para esta doente”.

O hospital Santa Maria diz que não o fez porque quer incluir Constança num “programa de acesso precoce a medicamentos ainda sem autorização de introdução no mercado” e, para isso, aguarda decisão do regulador.

Como o tempo é cada vez mais precioso, Constança lançou um grito nas redes sociais. Um texto que serve como apelo ao Infarmed, ao hospital de Santa Maria - onde é seguida em pneumologia - e à classe política.

A médica de Constança explica à SIC que em Portugal já existem dois medicamentos aprovados, mas nenhum com a qualidade deste fármaco de última geração que pode salvar a jovem. Sublinha ainda que o medicamento em causa não garante a certeza de uma melhora, uma vez que o resultado depende da capacidade de resposta do próprio organismo de Constança.

O PS entregou entretanto no Parlamento, esta sexta-feira, uma resolução para acelerar a chegada do referido fármaco a Portugal.

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