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Morte de Ihor Homeniuk. Ministério Público deixa cair acusação de homicídio qualificado

Ihor foi algemado e agredido nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa, em março de 2020, vindo a morrer alegadamente por asfixia lenta devido à fratura de várias costelas.

O Ministério Público (MP) pediu hoje a condenação dos três inspetores do SEF acusados da morte de um passageiro ucraniano a penas de prisão entre oito e 16 anos pelo crime de ofensas corporais graves, agravada pelo resultado (morte).

Tendo em conta o grau de culpa de cada um dos inspetores do SEF acusados, nas alegações finais do julgamento, a procuradora Leonor Machado pediu para os arguidos Duarte Laja e Luís Silva uma condenação entre 12 e 16 anos de prisão, mas de preferência não inferior a 13 anos.

Quanto ao arguido Bruno Sousa, a procuradora entendeu que o seu grau de culpa foi menor, por ter sido influenciado pelos restantes arguidos, pedindo uma condenação a uma pena de prisão não inferior a oito anos.

O trio de inspetores do SEF foi julgado por homicídio qualificado, cuja moldura penal máxima atinge os 25 anos de prisão, mas na última sessão o juiz presidente do coletivo, Rui Coelho, anunciou que o tribunal ponderava alterar a acusação de homicídio qualificado para ofensa à integridade física qualificada, agravada pelo resultado (morte), cuja moldura penal é de entre quatro e 16 anos de cadeia.

"É uma mera alteração da qualificação jurídica do crime constante da acusação para crime menos grave", disse então o juiz-presidente Rui Coelho no final da audiência.

DIRETOR DO SEF ADMITE QUE FORAM USADAS ARMAS NÃO REGISTADAS

Neste julgamento, dois dos arguidos (Duarte Laja e Luís Silva) respondem também pelo crime por posse de arma ilegal (bastão).

O tenente-general Botelho Miguel reconheceu que os bastões usados pelos inspetores do SEF não eram alvo de qualquer sistema de inventariação, não tinham número de série e eram geridos numa lógica de "consumível", obedecendo às regras de economato. Adianta que só as armas de fogo são inventariadas.

O diretor nacional do SEF foi arrolado como testemunha por um dos inspetores acusados. Botelho Miguel recusou-se a depor presencialmente no julgamento mas enviou as respostas escritas ao tribunal.

O tenente-general disse também que quando tomou posse, à semelhança dos bastões extensíveis, também não havia registo dos aerossóis, como o gás-pimenta ou armas elétricas.

Ihor morreu de asfixia lenta

Ihor Homeniuk foi algemado e agredido nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa, em março de 2020, vindo a morrer alegadamente por asfixia lenta devido à fratura de várias costelas.

O perito que realizou a autópsia ao cidadão ucraniano declarou em julgamento que o relatório final da autópsia "conclui com segurança" que o ucraniano "morreu de asfixia lenta" provocada por várias fraturas nas costelas causadas por energia externa.

Hoje, nas alegações finais, a procuradora deu como provada a tese de acusação que Ihor Homeniuk foi algemado e agredido nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa, em março de 2020, vindo a morrer por asfixia lenta devido às agressões a pontapé e com bastão, que lhe causaram a fratura de várias costelas, mais precisamente de "oito arcos costais".

A procuradora Leonor Machado considerou que houve também "negligência" dos acusados face ao "grave estado de saúde" de Ihor , tendo morrido asfixiado devido à insuficiência respiratória provocada pela fratura das costelas, após as agressões, e em virtude de ter ficado algemado e de barriga para baixo no colchão, dificultando a respiração e provocando-lhe a morte por asfixia e não por convulsão e aspiração de vómito, como a defesa pretendeu fazer crer.

A procuradora salientou a "falta de misericórdia" e a "omissão de solidariedade" manifestada pelos acusados, num contexto em que o objetivo era manter Ihor Homeniuk algemado e imobilizado para "custe o que custasse" embarcasse de avião em 12 de marco, de regresso à Turquia, ponto de paragem da sua viagem desde a Ucrânia.

As alegações finais prosseguem com a intervenção da assistente no processo, ou seja, do advogado que representa a família do passageiro ucraniano, que está a seguir a mesma linha incriminatória do MP, mas de uma forma mais dura sobre o grau de culpa dos agentes do SEF.

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