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Esquema "ardiloso" de Vieira: compra de dívida, desvio de dinheiro do Benfica e ocultação de património

Ministério Público investiga compra de dívida da Imosteps e desvio de milhões da SAD encarnada.  

Compra de dívida, desvio de dinheiro da SAD do Benfica e ocultação de património. As suspeitas que recaem sobre Luís Filipe Vieira e os outros arguidos do processo "Cartão Vermelho" representam negócios de quase 100 milhões de euros que terão lesado os contribuintes.

Nos documentos, a que a SIC teve acesso, o Ministério Público descreve um esquema que apelida de "ardiloso" e "opaco".

Um império imobiliário erguido sobre uma estrutura de enormes dívidas. É este o problema central para o qual Luís Filipe Vieira terá encontrado soluções que, segundo o Ministério Público, representam crimes de burla, branqueamento de capitais, fraude fiscal, abuso de confiança e falsificação.

Luís Filipe Vieira assumiu a Imosteps, em 2012, a pedido de Ricardo Salgado. Com a empresa imobiliária, chegou também uma dívida de 54 milhões de euros. De acordo com o MP, a solução foi o sócio e amigo José António dos Santos.

O MP acredita que, para se livrar da dívida, Vieira terá montado um plano que começou em 2019 pela proposta de compra da empresa por um fundo controlado pelo amigo, mas o negócio acabou chumbado pelo Fundo de Resolução.

Três meses depois, a Imosteps foi vendida a um fundo norte-americano por mais de 6 milhões de euros, que vendeu depois a empresa, em agosto do ano passado, a um fundo de José António dos Santos, por pouco mais de 9 milhões.

Na SAD do Benfica, o MP encontrou uma outra linha de investigação: o alegado desvio de dois milhões e meio de euros do clube encarnado. Bruno Macedo, empresário de Braga, surgiu no esquema graças às quatro sociedades em paraísos fiscais usadas no negócio de compra e venda de 3 jogadores.

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