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Paulo Guichard vai comparecer perante a Justiça e nega saber paradeiro de Rendeiro

Palavras são do próprio ex-administrador do BPP em declarações à SIC.

Paulo Guichard, antigo braço direito de João Rendeiro, garante que vai comparecer perante a Justiça Portuguesa na próxima sexta-feira, numa entrevista exclusiva à SIC em que o ex-administrador do BPP, agora a viver no Brasil, garante não conhecer o paradeiro de João Rendeiro e espera não ser prejudicado pela fuga do antigo homem forte do Banco privado Português.

Com a imagem manchada em Portugal, Paulo Guichard rumou ao Brasil, há mais de uma década, pouco depois da abertura dos primeiros processos relacionados com a queda do BPP.

"Eu saí de Portugal na época por vários motivos, se me permite. Por motivos psicológicos. Por motivo de necessidade, estes processos são muito longos e, por motivos da minha própria sobrevivência, eu achei que no Brasil poderia voltar a existir e melhorar como ser humano, no meu íntimo e nas contas últimas que tenho a ajustar com Deus. Sou um ser melhor", diz Guichard.

A polémica fuga de João Rendeiro fez soar os alarmes na Justiça, que decidiu alterar as medidas de coação dos restantes arguidos condenados nos mesmos processos.

A Paulo Guichard, o tribunal ordenou que se apresentasse em Lisboa, na próxima sexta-feira, para revisão das medidas de coação.

Com uma sentença de quatro anos e oito meses de cadeia prestes a transitar em julgado, o ex-administrador do BPP sabe que a vinda a Portugal pode ser um passaporte para a prisão.

"E o que vou fazer é honrar. Se o sistema judicial me deu a confiança de estar aqui no Brasil livremente, eu agora tenho de honrar e respeitar o enquadramento legal. Vou apresentar-me em Portugal e aceitarei o que os juízes decidirem.", acrescenta.

Paulo Guichard era o braço direito de Rendeiro na administração do BPP, apontado, por isso, como um dos grandes responsáveis pela queda do banco.

"O que a minha consciência me diz é que existem ponto frágeis neste processo. A dimensão do que está em causa talvez seja menos do que a minha consciência me diz."

O BPP faliu em 2008 mas, 13 anos depois, não há ainda uma única sentença a ser cumprida.

"Mas, também, sinceramente, aqueles que estão mais tristes com o BPP, tento compreendê-los. Talvez antes, como ser humano, eu não tivesse esta perceção, pôr-me no lugar dos outros e respeitar e saber perdoar é uma coisa importante."

Garante desconhecer o paradeiro de João Rendeiro, com quem diz que manteve, apenas, contactos esporádicos nos últimos anos.

"Fugir é um ato de cobardia, enfrentar é um ato de dignidade.", diz Guichard.

No total, Paulo Guichard está condenado a 17 anos e dois meses de prisão em três processos, todos relacionados com o BPP.

Depois de confirmadas todas as sentenças, deverá ser feito um cúmulo jurídico, que, na prática, deverá reduzir o tempo que o arguido poderá passar atrás das grades.

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