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"Os médicos não conseguem aguentar mais": greve de 3 dias agendada para novembro

Em causa está o risco de rutura por falta de profissionais de saúde.

Os médicos vão avançar para uma greve geral de três dias, a 23, 24 e 25 de novembro, estando em causa o risco de rutura em vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde por falta de profissionais.

A falta de resposta dos serviços de urgência é grave, alertam os sindicatos, e tende a agravar-se com a chegada do inverno e com a demissão já apresentada por vários profissionais de saúde.

"Os médicos, apesar de todos os esforços que têm feito, e estamos a falar de médicos que, o ano passado, deram oito milhões de horas extraordinárias a este Serviço Nacional de Saúde, não conseguem aguentar mais", diz o presidente do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha.

Empurrados por uma situação que dizem insustentável, vão à luta com três dias de greve.

"Estas propostas em relação ao Orçamento do Estado são de tal modo insuficientes que mal merecem a nossa consideração e, assim sendo, e por exigência dos nossos associados, iremos avançar, malgrado, porque preferiríamos para um processo de negociação séria, e decidimos por uma greve geral de médicos no fim de novembro", refere o presidente da Federação Nacional dos Médicos.

Os recursos humanos são escassos e há cada vez mais médicos a sair e queixas de utentes.

Depois de Leiria, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra, Almada, Setúbal, Torres Vedras, Guarda, Castelo Branco e Algarve, agora também o Porto, com a demissão de oito médicos psiquiatras do Hospital São João.

Os sindicatos estão preocupados e dizem que os problemas são antigos e transversais a todo o Serviço Nacional de Saúde.

Com esta greve, avisa também que a bola agora está do lado do Governo.

"Está nas mãos do Governo evitar. Se houver investimento no SNS, estaremos totalmente disponíveis para que esta forma de luta não seja atingida, mas a bem do Serviço Nacional de Saúde, é o momento, depois da vacinação e depois do controlo da pandemia, de dizermos basta, este grito de alerta que queremos fazer a bem do Serviço Nacional de Saúde", acrescenta Roque da Cunha.

Serviço que os médicos dizem agravar-se a cada ano que passa, sem que as contratações recentes consigam disfarçar.

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