País

Paulo Rangel apresenta candidatura à liderança do PSD

MÁRIO CRUZ

Rangel desafia Costa a ir a eleições em 2023 e vai propor o regresso dos debates quinzenais.

O eurodeputado Paulo Rangel anunciou esta sexta-feira que se candidata à liderança do PSD por ter a convicção de que pode "unir o PSD, promover o seu crescimento e vencer as legislativas de 2023".

"Anuncio formalmente a todos os militantes que serei candidato à presidência do PSD nas eleições de 4 de dezembro próximo. Apresento a minha candidatura, com humildade e espírito de missão, mas com a convicção inabalável de que, com ela, sirvo o nosso país, os nossos compatriotas e o nosso partido", afirmou, na apresentação pública à imprensa, num hotel em Lisboa.

O antigo líder parlamentar defendeu que só se candidata por considerar ter "todas as condições para unir o PSD, para promover o seu crescimento realizando a sua tradicional vocação maioritária e para vencer as eleições legislativas de 2023, com uma solução de governo estável".

Rangel desafia Costa a ir a eleições em 2023 e vai propor regresso de debates quinzenais

O candidato à liderança do PSD afirmou que, se for eleito, vai desafiar o primeiro-ministro a recandidatar-se nas legislativas de 2023 e bater-se pelo regresso dos debates quinzenais no parlamento.

"Nós não temos medo nem receio do PS nem de qualquer líder do PS, por mais história ou sucessos que tenha tido. Digo mais, quando for líder do partido, vou desafiar António Costa a liderar as listas do PS às eleições legislativas de 2023", afirmou, defendendo que o PSD "não pode continuar à espera da exaustão ou da desistência de António Costa, como se ele, o PS e o seu governo fossem imbatíveis".

O antigo líder parlamentar comprometeu-se ainda a, se vencer as diretas de 04 de dezembro, bater-se pelo regresso dos debates quinzenais com o primeiro-ministro no parlamento.

"Como líder parlamentar que fui, sei bem da importância crucial dos chamados debates quinzenais. São eles que dão centralidade política e mediática ao parlamento, são eles que permitem confrontar o primeiro-ministro com as falhas e as políticas erradas", disse, considerando "absolutamente incompreensível que a liderança atual do PSD tenha, em conivência com o PS" os tenha abolido.

MÁRIO CRUZ

Para Rangel, tratou-se "de um erro enorme para a República e a saúde da democracia, para o parlamento e para o PSD".

"Assim que tome posse como líder do PSD, comprometo-me aqui a que a minha primeira medida será propor na Assembleia, o regresso dos debates quinzenais", assegurou.

Rangel elege mobilidade social como "grande desígnio" do partido


Paulo Rangel elegeu a mobilidade social como "o grande desígnio" do partido, acusando o "PS socratista e costista" de terem agravado as desigualdades nos últimos 20 anos.

"É preciso romper com este ciclo infernal da estratificação ou do imobilismo social. Não restem dúvidas para ninguém: o grande desígnio do PSD e de um projeto galvanizador e vencedor para o país só pode ser e será sempre para mim: a mobilidade social. Temos de criar as condições para que todos os portugueses possam subir na vida", defendeu.

MÁRIO CRUZ

No seu diagnóstico, o antigo líder parlamentar descreveu a sociedade portuguesa como "pobre e profundamente desigual".

"Nos anos 90, dizia-se que Portugal não podia parar, depois de 2000 Portugal parou", lamentou.

O antigo eurodeputado considerou que as duas últimas décadas foram perdidas, e que "os portugueses vivem em 2021 como viviam em 2000 ou 2001 ou até pior" e Portugal foi ultrapassado por vários países europeus.

"Este tempo desperdiçado que nos estagnou, empobreceu, anestesiou e paralisou teve as suas origens e a sua marca forte no descalabro do PS socratista, mas exponenciou-se nestes seis anos na agenda ideológica, fundamentalista e radical do PS costista, agora refém dos extremos da esquerda", acusou.

MÁRIO CRUZ