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Há comunistas que discordam do nome escolhido para suceder a Jerónimo de Sousa

Há comunistas que discordam do nome escolhido para suceder a Jerónimo de Sousa
Manuel Almeida
Paulo Raimundo não é consensual no partido.

Os renovadores comunistas Carlos Brito e Domingos Lopes criticaram a escolha de Paulo Raimundo para secretário-geral do PCP, por ser um militante "totalmente desconhecido" e uma "completa incógnita" no palco político.

Carlos Brito, que deixou o partido há quase 20 anos, considerou que a escolha de Paulo Raimundo para secretário-geral do PCP "foi totalmente inesperada".

Para o antigo líder parlamentar comunista, a escolha do dirigente de 46 anos como sucessor de Jerónimo de Sousa "não é o que o PCP precisa nesta fase", com a bancada reduzida a seis deputados e metade das autarquias que tinha perdido.

Domingos Lopes, outro "renovador", partilha da mesma opinião, mas diverge num detalhe: "Ao contrário do que se podia esperar, não é uma surpresa."

Para o antigo dirigente comunista, que saiu do partido em 2009, o PCP de 2022 insiste no marxismo-leninismo, logo, "é natural que nestas circunstâncias, a direção tenha encontrado alguém que tenha este perfil, que possa perpetuar a vida do partido de acordo com estes pressupostos ideológicos".

O PCP de hoje, continuou Domingos Lopes, está "sintonizado completamente" com o "início do século XX" e Paulo Raimundo é alguém "que se situa neste patamar".

"Surpresa é existir um partido que continua a orientar-se, apesar da implosão da União Soviética e dos países socialistas, pelos mesmos pressupostos que levaram à implosão naqueles países", completou.

Os desafios da nova liderança do PCP

O dirigente comunista Paulo Raimundo, funcionário do partido desde 2004, apresentado no site do PCP como operário, exerceu vários ofícios, desde carpinteiro e padeiro até animador cultural.

A proposta de Paulo Raimundo para substituir Jerónimo de Sousa partiu do Secretariado e foi, entretanto, acolhida pela direção comunista, apesar de ter provocado "alguma surpresa" no Comité Central, como admitiu Jerónimo de Sousa, em conferência de imprensa no domingo.

Paulo Raimundo vai assumir o cargo de secretário-geral num momento muito difícil para o PCP: uma série de derrotas eleitorais, apenas seis deputados no Parlamento, perante a maioria absoluta do PS.

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