País

“Enorme contributo” e “cortesia institucional”: as reações à saída de Jerónimo de Sousa da liderança do PCP

“Enorme contributo” e “cortesia institucional”: as reações à saída de Jerónimo de Sousa da liderança do PCP

Jerónimo de Sousa deixa a liderança do PCP ao fim de 18 anos

O PCP anunciou no sábado que Jerónimo de Sousa vai deixar a liderança do partido, ao fim de 18 anos, e que Paulo Raimundo vai assumir o cargo de secretário-geral.

Num comunicado, o partido explicou que a "situação de saúde" de Jerónimo de Sousa e as "exigências correspondentes às responsabilidades que assume" colocaram o seu lugar à disposição.

Jerónimo de Sousa vai manter-se como membro do Comité Central do PCP, adiantam no comunicado.

Loading...

Foram muitas as reações após o anúncio da saída de Jerónimo de Sousa da liderança do PCP

O partido fez-lhe rasgados elogios. O ex-deputado do PCP Miguel Tiago recordou como uma mais-valia os 18 anos de liderança de Jerónimo. Já Francisco Louçã destacou a importância que o líder comunista teve para o partido.

Loading...

O Presidente da República lembrou o percurso político de Jerónimo de Sousa e realçou a “cortesia institucional” como secretário-geral do PCP

“Mantive sempre com o secretário-geral do PCP, uma cooperação institucional e manteve sempre uma cooperação institucional com o Presidente da República, independentemente de concordância e discordâncias, como aconteceu na votação do último orçamento de Estado.”

Loading...

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, expressou "profunda estima" pelo secretário-geral cessante do PCP, Jerónimo de Sousa, e realçou que foi dele "o primeiro, corajoso e decisivo passo" para a chamada "Geringonça".

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, agradeceu o "enorme contributo" de Jerónimo de Sousa para as instituições democráticas portuguesas.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, também recorreu ao Twitter para deixar uma mensagem de despedida, afirmando que Jerónimo de Sousa é “o rosto de uma parte imprescindível da esquerda".

O presidente do PSD, Luís Montenegro, elogiou a “simpatia pessoal” de Jerónimo e a sua “lealdade no combate político", declarando-se "nos antípodas do comunismo", mas respeitador dos seus "crentes".

"Estou nos antípodas do comunismo. Mas respeito democraticamente os seus 'crentes'. No caso de Jerónimo de Sousa, sempre apreciei a sua simplicidade e urbanidade. Sempre me emprestou simpatia pessoal e lealdade no combate político. Desejo-lhe felicidades pessoais e familiares", escreveu Montenegro no Twitter.

O presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, evitou comentar a saída de Jerónimo de Sousa da liderança do PCP, optando por realçar que o histórico dirigente comunista "foi sempre muito cordial".

Citado pela Lusa, o líder demissionário da IL disse que "não gosta de comentar" a vida interna de outros partidos, para justificar a recusa parcial em reagir à substituição de Jerónimo de Sousa por Paulo Raimundo, no cargo de secretário-geral do PCP, que o antigo operário metalúrgico exercia há 18 anos.

Ainda assim, João Cotrim Figueiredo enfatizou algumas diferenças ideológicas entre a IL e o PCP, alegando que o mais antigo partido português "continua a apoiar ditaduras", 101 anos depois da sua fundação, em 1921, e em geral regimes "que violam os direitos humanos".

O líder do Chega, André Ventura, recusou-se a saudar o legado de Jerónimo de Sousa, preferindo desejar “as maiores felicidades pessoais e familiares”, e afirmou esperar que Paulo Raimundo “seja o camarada que fecha definitivamente a porta”.