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Relatório sobre o SIRESP indica falhas graves de segurança nas comunicações

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O relatório revela que algumas das falhas detetadas podem "colocar em risco a segurança de bens e de pessoas".

Um relatório confidencial da Administração Interna, um órgão do Estado, revelou “riscos muito elevados” no SIRESP. Estão a ser apontadas falhas graves na rede de comunicações de emergência usada pelas autoridades e que têm falhado nos momentos mais críticos. A operadora que gere o sistema desde junho garante, no entanto, que a segurança e eficácia do SIRESP estão a ser reforçadas.

O relatório foi elaborado no início do ano passado e revela que algumas das falhas detetadas podem "colocar em risco a segurança de bens e de pessoas".

De acordo com o relatório, é possível para as entidades externas saberem a localização em tempo real de operacionais no terreno, incluindo agentes responsáveis pela segurança pessoal dos mais altos representantes do Estado, por investigações criminais ou das secretas.

Os técnicos de comunicação com acesso à gestão dos grupos de conversação poderiam adicionar terminais e ouvir conversações sem que tal fosse notado.

O jornal Público adianta que a falha mais grave apontada diz respeito à falta de segregação de informação de acordo com as necessidades operacionais.

Uma outra falha diz respeito à ausência de controlo prévio por parte do Estado no processo de contratação de recursos humanos de entidades privadas parceiras quando, ao contrário, os acessos por forças de segurança exigiam credenciação.

O SIRESP também tem fragilidades no acesso à base de dados com o histórico de utilização do sistema, não havendo controlo do Estado no acesso aos centros de dados onde estão localizados os dados do SIRESP, quatro espaços espalhados pelo país, arrendados a uma empresa privada.

As entidades envolvidas pouco ou nada adiantaram ao jornal.

O Ministério não respondeu às perguntas do jornal Público. O MAI admitiu estas falhas, é a entidade gestora do SIRESP e detém as chaves que permitem descodificar as comunicações que são encriptadas.

A SIRESP, uma sociedade de capitais públicos, aponta imprecisões ao relatório, mas admite que já foram tomadas medidas para "reforçar a segurança da rede". No entanto, reconhece que ainda há fragilidades por resolver.

Desde junho, de acordo com a SIRESP, estarão em curso ou previstas várias medidas que vão reforçar a segurança, capacidade, cobertura e futura alteração de tecnologia da rede de comunicações do Estado.

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