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Uma fotografia e 23 chamadas: estará Sócrates a ajudar Manuel Pinho?

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O Ministério Público quer afastar o ex-primeiro-ministro da posição de assistente no processo.

O Ministério Público quer afastar José Sócrates da posição de assistente no processo EDP, porque diz que o ex-primeiro-ministro está a ajudar a defesa de Manuel Pinho. Os procuradores encontraram centenas de comunicações entre Sócrates e o antigo ministro da Economia.

Uma fotografia encontrada num exame forense ao telemóvel de Manuel Pinho mostra o antigo ministro da Economia com o ex-primeiro-ministro na Quinta do Assento em Braga, a 15 de setembro.

A fotografia está a servir para que o Ministério Público peça ao juiz Carlos Alexandre que retire a José Sócrates o estatuto de assistente no processo EDP.

No despacho a que a SIC teve acesso, o procurador escreve que no espaço de oito meses - entre 16 de março e 3 de novembro - foram feitas 115 comunicações entre os dois. Destas, 23 foram chamadas.

O Ministério Público diz que não faz qualquer sentido que José Sócrates, amigo pessoal e frequentador da casa de Pinho, tenha o estatuto de assistente, uma espécie de auxiliar da investigação. Diz que a única intervenção relevante do ex-primeiro-ministro tem sido consultar o processo para extrair informação e ajudar a defesa de Manuel Pinho.

À SIC, José Sócrates diz que vai contestar o pedido do Ministério Público.

“A minha participação como assistente destina-se a repor a verdade dos factos. Não a defender ninguém em particular. Ao fim de 12 anos, o Ministério Público tem de apresentar provas do que andou a dizer: 'Que o Governo a que presidi favoreceu a EDP'. 12 anos depois, uma coisa é evidente: trata-se de uma falsidade”, diz Sócrates.

A investigação tem de facto mais de uma década. Manuel Pinho é suspeito de corrupção e branqueamento de capitais.

O caso EDP está relacionado com os Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) no qual os antigos gestores António Mexia e Manso Neto são suspeitos de corrupção e participação económica em negócio para a manutenção do contrato das rendas excessivas, no qual, segundo o MP, terão corrompido o ex-ministro da Economia Manuel Pinho e o ex-secretário de Estado da Energia Artur Trindade.

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