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Tráfico humano no Alentejo: 10 dos 35 suspeitos querem falar em tribunal

Tráfico humano no Alentejo: 10 dos 35 suspeitos querem falar em tribunal
NUNO VEIGA
Interrogatórios estão a decorrer no Campus da Justiça, em Lisboa.

Começaram esta sexta-feira os interrogatórios às pessoas detidas, em Beja, por suspeitas de associação criminosa, tráfico de seres humanos, branqueamento de capitais e falsificação de documento.

Os interrogatórios podem vir a demorar o dia todo e deverão falar 10 dos 35 detidos, como adianta o repórter Diogo Martins, que está no Campus da Justiça, em Lisboa.


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Entre os suspeitos que pediram para falar estão cinco portugueses que seriam gestores das propriedades agrícolas onde trabalhavam os imigrantes.

O interrogatório começou pouco depois das 09:00 e a primeira a ser ouvida foi a solicitadora, que é suspeita do crime de falsificação de documento.

Seria a solicitadora a celebrar os contratos dos trabalhadores estrangeiros, trazidos para Portugal para trabalhar nos campos agrícolas.

As medidas de coação ainda não deverão ser conhecidas esta sexta-feira.

Alegada rede de tráfico humano no Alentejo liderada por casal romeno

Ao que a SIC apurou, a alegada rede de tráfico humano no Alentejo é liderada por um casal romeno.

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Para além de Ramona e Nisuor, os alegados líderes, o grupo terá ainda mais 38 pessoas, entre elas dois homens de confiança do casal: um primo e um dos sogros.

Contaria, para além disso, com a ajuda de três funcionários portugueses de explorações agrícolas e uma solicitadora do Alentejo.

O Ministério Público acredita que, desde janeiro, aliciaram, transportaram, alojaram e entregaram pessoas de países como a Roménia, Moldávia, Ucrânia, Índia, Senegal, Timor e Paquistão para exploração laboral, de modo a obterem elevados ganhos económicos e adquirirem bens de luxo.

Há indícios de ameaças físicas e psicológicas, tanto aos trabalhadores trazidos para Portugal, como aos familiares nos países de origem.

Pedro Proença, o advogado de três dos arguidos, rejeita que se trate de um caso de tráfico e acusa o Estado de falhar na criação de mecanismos para prevenir situações como esta.

“Eu rejeito completamente. Para mim está longe de ser tráfico. Para mim o Estado investe é neste tipo de investigações, mas não cria mecanismos para prevenir estas realidades”, afirma.

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