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“Habitue-se”: o recado de João Cotrim Figueiredo a Costa no discurso de despedida

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João Cotrim de Figueiredo afirmou que a Iniciativa Liberal "faz oposição mais inteligente" ao Governo e garante que o partido vai continuar "a dar motivos [ao primeiro-ministro] para se irritar".

O presidente cessante da Iniciativa Liberal (IL) avisou este sábado o primeiro-ministro que terá de se habituar a continuar irritado com o partido, defendendo que a IL "faz a oposição mais inteligente e eficaz".

"Afirmámo-nos como única alternativa ideológica ao socialismo. Mas também nos afirmámos como única alternativa capaz de trazer soluções concretas para os problemas das pessoas. Soluções testadas, soluções diferentes", defendeu João Cotrim Figueiredo no discurso de abertura da VII Convenção da IL.

Para o ainda líder da IL, o partido ganhou credibilidade política, "algo tão difícil de conquistar, mas tão fácil de perder", e que considerou "essencial para continuar a crescer e a merecer a confiança de cada vez mais portugueses".

"E é por perceber que é a Iniciativa Liberal que faz a oposição mais inteligente e eficaz que o PS e António Costa tanto se irritam connosco. É boa altura para dizer aqui ao primeiro-ministro que a Iniciativa Liberal aqui está para lhe continuar a dar motivos para se irritar: habitue-se!", apelou, numa alusão à frase utilizada pelo primeiro-ministro numa entrevista à Visão para se referir à oposição.

Numa intervenção muito aplaudida -- e que começou uma hora e 45 minutos depois do previsto -, Cotrim Figueiredo defendeu que a IL "veio abanar o sistema partidário e o debate político" e também irrita os seus adversários ficam com o seu mote: "o liberalismo funciona e faz falta a Portugal".

João Cotrim Figueiredo anunciou em outubro do ano passado que não se iria recandidatar às eleições antecipadas, convocadas a meio do mandato, provocando surpresa nas hostes liberais, tendo depois anunciado o apoio quase imediato a um dos três candidatos à liderança, Rui Rocha.

Desafia "tudólogos do cinismo" a dizer que não há "cada vez mais liberais"

O presidente cessante da IL, João Cotrim Figueiredo, desafiou os "tudólogos do cinismo" a dizer que “não há cada vez mais liberais em Portugal”.

"Crescemos e afirmámo-nos. Aos nossos adversários políticos, aos tudólogos do cinismo eu digo: olhem para nós, olhem para nós e digam lá agora que não há cada vez mais liberais em Portugal", disse João Cotrim Figueiredo no seu discurso de despedida, no arranque da VII Convenção Nacional.

Rui Rocha e Carla Castro, deputados e dirigentes, e o conselheiro nacional José Cardoso disputam este fim de semana o lugar deixado por João Cotrim Figueiredo com as eleições antecipadas.

Medina será "ótimo sucessor" de Costa porque "nunca sabe de nada"

O presidente cessante da IL ironizou que Fernando Medina seria um "ótimo sucessor" de António Costa à frente do PS, acusando o ministro de "nunca saber de nada".

"Nunca sabe nada, está sempre distraído. Não sabia dos dados dos dissidentes ucranianos enviados à embaixada russa, não sabia das indemnizações pagas na TAP. E agora não sabe como é que um ex-autarca do PS de Castelo Branco era o único capaz de fiscalizar adjudicações em Lisboa", acusou João Cotrim Figueiredo, no discurso de abertura da VII Convenção da IL.

"Pelo menos nesse aspeto, daria um ótimo sucessor de António Costa que também é especialista a sacudir a água do capote", ironizou.

Cotrim Figueiredo afirmou que a IL "fez a diferença no dossiê da nacionalização da TAP", defendendo que foi desde o início o partido com uma posição clara na matéria, pela privatização da companhia aérea.

"O Governo já reconhece que o dinheiro não vai ser recuperado. O ministro Pedro Nuno Santos que nos meteu nesta alhada já saiu com o rabo entre as pernas (não sei se a tremer, como as pernas dos banqueiros alemães). António Costa com mais uma pirueta agora já admite privatizar a TAP a 100%. E a direção executiva da TAP" anda em roda livre, a contratar amigos e a despedir administradores com chorudas indemnizações", criticou.

O líder defendeu que a IL "foi o único partido que colocou sistematicamente no topo da agenda o tema do crescimento económico" e salientou o seu papel em dossiês legislativos como a morte medicamente assistida, no qual a IL contribuiu com um projeto de lei -- diploma que foi enviado pelo Presidente da República para o Tribunal Constitucional este mês.

"Nesta matéria, sem a IL não teria havido a garantia do acesso a cuidados paliativos antes de iniciado o processo, nem teria havido a salvaguarda da liberdade de escolha dos profissionais de saúde envolvidos. A Iniciativa Liberal fez a diferença", vincou.

Segundo Cotrim de Figueiredo, o partido disse 'presente' na elaboração deste projeto "na defesa de um direito individual que o Estado não tem o direito de limitar".

Quanto à revisão constitucional, Cotrim de Figueiredo defendeu que o partido tem que ficar alerta para "continuar a fazer a diferença durante o processo de revisão constitucional que agora se iniciou em má hora por iniciativa do Chega, e no qual o PS e PSD resolveram embarcar pelo único motivo de que querem dar cobertura constitucional aos confinamentos compulsivos de pessoas infetadas e utilização abusiva de metadados para efeitos de investigação criminal".

"Os partidos do sistema a entenderem-se para limitar as nossas liberdades fundamentais sem envolverem o parlamento e, nalguns casos, sem sequer envolverem os tribunais. Isto é inaceitável e a Iniciativa Liberal também aqui vai fazer a diferença", vincou.

João Cotrim Figueiredo anunciou em outubro do ano passado, a meio do mandato, que não se iria recandidatar às eleições antecipadas, provocando surpresa nas hostes liberais, tendo depois anunciado o apoio quase imediato a um dos três candidatos à liderança, Rui Rocha.

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