Há ratos por toda a parte, até sobre os cabos que estão no teto. Correm, cá em baixo, junto a uma parede coberta de insetos. É assim a unidade de produção de suínos da Intergados, no Casal da Pucariça, na Chamusca. Investigadores da ONG espanhola ARDE entraram na exploração e filmaram o que viram.
"O que encontrámos foi um caso de negligência, de desleixo para com os animais, com uma sujidade incrível, infestação de moscas e insetos, e presença de ratos, que podem transmitir doenças aos próprios animais da quinta", explica Julia Elizalde, porta-voz da associação ARDE.
Os investigadores da ARDE gravaram estas imagens em julho deste ano.
"As porcas reprodutoras não receberam cuidados veterinários durante os partos e, por isso, foram encontrados leitões mortos e abortos visíveis. Também se observaram ferimentos nos animais que não foram tratados e que podem ter várias semanas ou até meses."
A unidade faz parte do grupo Montalva, que nunca respondeu aos contactos da SIC. A empresa tem, até, certificado de bem-estar animal.
"Eles sabem com meses de antecedência quando vem o auditor fiscalizar a exploração. Por isso, na nossa opinião, a única coisa que a certificação de bem-estar animal garante é que, uma vez por ano, a exploração esteja limpa", acrescenta.
A ONG ARDE foi responsável pelas imagens que mostraram o que se passava no interior da Marinhave, a maior exploração de patos da península ibérica, situada em Benavente, um caso revelado pela investigação SIC no início de outubro.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirma à SIC que instaurou um inquérito à Marinhave. Ainda não há conclusões, mas a DGAV diz que a verificação técnica e a documentação enviada pelo operador foram suficientes para que a empresa fosse autorizada a voltar a ter patos.
A DGAV diz que a autorização está condicionada à realização de controlos oficiais que permitirão avaliar a implementação efetiva dos procedimentos de bem-estar animal. Algo difícil de avaliar, pois o comportamento dos funcionários, revelado na investigação SIC, só foi apanhado porque foi gravado por uma câmara oculta.
Questionada pela SIC sobre o que fez depois da divulgação da reportagem, a produtora dos patos, Quinta da Marinha, nunca respondeu.