O antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) foi vítima de uma tentativa de homicídio no passado dia 20 de outubro. José Manuel Anes foi esfaqueado pela própria filha e deu entrada em estado grave no Hospital de São José, em Lisboa.
Quase um mês depois, em entrevista à SIC Notícias, José Manuel Anes detalha a tentativa de homicídio de que foi vítima. Conta que, ao abrir a porta da casa de uma amiga onde se encontrava, foi empurrado pela filha, que o agrediu durante 15 a 20 minutos. “Pedi socorro várias vezes (…) a pancadaria era tanta que nem me apercebi das facadas”, afirmou.
"Quando ela foge com medo da polícia, eu fico quase duas horas deitado, sem me conseguir levantar, a deitar sangue."
Acrescenta que, durante as agressões, a filha, Ana Anes, repetia “com um ar alucinado” a frase “vais morrer” e acredita que a tentativa de homicídio foi "planeada ao milímetro". Refere ainda as publicações que a própria partilhou nas redes sociais, antes e depois do ataque, nas quais insinuava ter matado o pai.
Relata que, para além das lesões físicas, incluindo danos nos tendões da mão, no intestino delgado, numa perna e um hematoma no cérebro, existe também uma dor moral difícil de ultrapassar: “Essa é difícil de passar. Por isso, se ela vier agora com desculpas, nem pensar”, afirma.
Ana Anes encontra-se em prisão preventiva no Hospital-Prisão de Caxias, em Oeiras. Está indiciada por homicídio qualificado, na forma tentada.
