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Exploração de imigrantes no Alentejo: sargento da GNR envolvido vive com magistrada do MP

A presença da magistrada na habitação obrigou, como manda a lei, a que as buscas fossem acompanhada pessoalmente por um juiz de instrução criminal, mas, ao que a SIC apurou, o Tribunal Central de Instrução Criminal tinha receio que houvesse uma fuga de informação sobre a operação de buscas prestes a acontecer. 

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Saíram em liberdade 10 dos 17 detidos por suspeitas de pertencerem a um grupo criminoso que escravizava imigrantes ilegais no Alentejo. Um GNR, um PSP e cinco civis vão continuar em prisão preventiva até sábado. Um dos envolvidos, um sargento da PSP, vive com uma procuradora do Ministério Público.  

Um dos suspeitos foi buscado em casa, em Gondomar, durante a madrugada, onde vive com uma procuradora do Ministério Público. 

A presença da magistrada na habitação obrigou, como manda a lei, a que a diligência fosse acompanhada pessoalmente por um juiz de instrução criminal, mas, ao que a SIC apurou, o Tribunal Central de Instrução Criminal tinha receio que houvesse uma fuga de informação sobre a operação de buscas prestes a acontecer. 

Determinou, por isso, que os autos em segredo de justiça fossem entregues em mãos ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto pelo órgão de polícia criminal. 

O suspeito, companheiro da magistrada e sargento na GNR, nos últimos tempos colocado em Famalicão, foi comandante do posto de Beja. 

É suspeito de tráfico de seres humanos e exercia, segundo a investigação, forte influência sobre os outros nove militares da GNR também detidos. 

Ameaçavam e agrediam os trabalhadores agrícolas estrangeiros em situação de vulnerabilidade, cerca de quinhentos, a troco de compensações financeiras pagas pelo cabecilha da rede. 

Para este sargento, que lideraria o chamado serviço de vigilância e coação privada, o Ministério Público pediu a mais grave das medidas de coação, a prisão preventiva. 

Dez suspeitos saíram em liberdade

Dez dos 17 suspeitos saíram em liberdade. Mantêm-se detidos pelo menos até este sábado um GNR, um PSP e cinco civis. 

Há forte indícios de auxílio à imigração ilegal, tráfico de seres humanos, corrupção ativa e passiva, abuso de poder, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Tudo gravado em escutas telefónicas 

O Ministério Público quer que os sete ainda detidos fiquem em prisão preventiva. A IGAI, a Inspeção-Geral da Administração Interna, vai abrir processos disciplinares.