Pouco a pouco, por estes dias de final de outono, a vida tem regressado à normalidade na Serra do Açor, depois do grande incêndio no Verão.
Depois de um verão marcado a negro pelo fogo, o frio chegou à serra do Açor. Por isso, o tempo é das chamas regressarem, mas de forma controlada para aquecer as casas.
Como na aldeia de Pardieiros, em Arganil.
Porque mesmo que as temperaturas não caiam habitualmente tanto como na vizinha Serra da Estrela, colocar lenha dentro do recuperador de calor e acender um fósforo são gestos obrigatórios por esta altura.
Lenha é o principal combustível de aquecimento
A lenha parece continuar a ser o principal combustível de aquecimento em muitas aldeias no interior do país.
O que importa é que o calor chegue, mesmo até aos mais friorentos.
O custo é, aliás, um dos motivos para que a escolha continue a recair na madeira. Ainda que este ano os incêndios tenham deixado pouco para recolher.
Isto num país onde, no ano passado, quase 16% da população não conseguia manter a casa devidamente aquecida, segundo o Observatório Nacional da Pobreza Energética.
Ainda assim, por ali, o frio não assusta. E sair bem agasalhado de casa, para aquecer as mãos numa bebida quente, é rotina diária de muitos dos aldeões de Pardieiros.
Por isso, poupar é estratégia, sobretudo para quem não pode, ou não quer, usar a opção mais tradicional.
Quando a noite cai, o frio aperta e regressa-se a casa. Mas se na serra do Açor enfrentar o inverno pesa na carteira, parece não ser um desafio solitário.
