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Hospitais antecipam medidas e preparam resposta ao pico da gripe

Cirurgias não urgentes já estão a ser adiadas para que haja camas disponíveis nos internamentos. Nesta fase, outra das grandes preocupações dos hospitais são os internamentos sociais.

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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já tinha deixado claro: assim que aumentasse a pressão provocada pelo surgimento de mais casos de gripe, os hospitais teriam de ajustar a atividade programada.

A nova estirpe do vírus da gripe A já circulava, as medidas de resposta à pressão hospitalar estavam planeadas, mas estão a ser antecipadas. Há vários hospitais a ativar, antes do previsto, diversos níveis dos planos de contingência sazonais e a ajustar a atividade.

Um desses casos é o da ULS Tâmega e Sousa, em Penafiel. Nos últimos dois dias, já adiou pelo menos 70 cirurgias programadas - as não urgentes -, relata hoje o jornal Público.

Penafiel ativou logo na terça-feira o nível 3 do plano sazonal de inverno. Medidas preventivas para libertar camas de internamento, onde estão a chegar mais casos de doentes com infeções respiratórias agudas, e para garantir, ainda, que há mais profissionais de saúde disponíveis.

A afluência de adultos e crianças à urgência tem sido intensa: nos últimos cinco dias, o serviços admitiu uma média diária de 650 utentes.

O hospital de Leiria também já sente o aumento da pressão e, esta quarta-feira, cancelou oito cirurgias programadas. Dias antes, tinha ativado o nível 1 do plano de contingência.

Na urgência de Leiria, a procura está semelhante à do ano passado por esta altura. Contudo, aparecem mais casos complexos a precisar de internamento.

Na ULS de Santa Maria ainda não houve necessidade de cancelar cirurgias programadas. Todavia, mais cedo do que esperava, o hospital teve de ativar o nível 2 do plano de contingência, o que permite usar algumas camas dos serviços de cirurgia para doentes da urgência que precisam de internamento.

Nesta fase, outra das grandes preocupações dos hospitais, como o Santa Maria ou o Amadora-Sintra, na Grande Lisboa, são as camas que estão ocupadas por pessoas que já tiveram alta clínica, os chamados internamentos sociais.

A maioria são utentes que não têm retaguarda familiar, vaga nos lares ou na rede de cuidados continuados e que estão a ocupar camas de internamento que, a agravar-se o cenário de casos críticos de gripe, podem vir a fazer falta.