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PS critica demora do Governo em decretar estado de calamidade após tempestade Kristin

O PS criticou o Governo por ter tardado em decretar o estado de calamidade nas áreas afetadas pela tempestade Kristin e pela falta de comunicação da ministra da Administração Interna com a população.

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O PS considerou esta quinta-feira que o Governo decretou tardiamente o estado de calamidade nas áreas mais afetadas pela tempestade Kristin e que faltou uma comunicação às populações por parte da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.

"A senhora ministra da Administração Interna, que é o topo da Proteção Civil, é uma não existência", declarou o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, aos jornalistas, na Assembleia da República.

Eurico Brilhante Dias anunciou que o PS vai propor aos grupos parlamentares e deputados únicos que a Assembleia da República acompanhe a recuperação dos efeitos da tempestade e reconstrução através de uma "aproximação multidisciplinar".

"A Assembleia da República sabe que há um conjunto de recursos públicos que serão necessários a afetar a essa recuperação, até no quadro do próprio Estado de Calamidade. A Assembleia da República deve desenvolver os maiores esforços para acompanhar e, naquilo que é o seu trabalho de legislar e fiscalizar, tornar esse trabalho o mais eficiente possível. É a nossa obrigação enquanto deputados", acrescentou.

Sobre a atuação do executivo PSD/CDS-PP o líder parlamentar do PS considerou que "o Governo tardou em estabelecer e em decretar o estado de calamidade, que era uma necessidade pedida pelos autarcas, que viram, constataram o grau de devastação em que estão algumas das localidades", em particular no distrito de Leiria, e deveria ter sido "acionado de imediato já ontem [quarta-feira]".

"Espero que isso não tenha consequências de maior. Foi decretado hoje, felizmente hoje já está", comentou, ressalvando que não é intenção do PS "criar neste momento grande divergência política".

Por outro lado, Eurico Brilhante Dias, deputado eleito pelo círculo de Leiria, defendeu que "as populações precisam de se sentir acompanhadas pelo Estado, pelas instituições" e que "muitas delas se sentem desacompanhadas no território, quando passaram mais de 24 horas sobre a intempérie".

"A senhora ministra da Administração Interna, como começa a ser um padrão, não se dirige aos portugueses, não procura informar, e hoje mesmo, ainda hoje mesmo temos populações que estão em particulares dificuldades, que estão isoladas no sentido em que não têm apoio direto, apesar de todo o esforço que os autarcas e que a Proteção Civil Local está a desenvolver", criticou.

Segundo o deputado, "manifestamente há um problema claro de comunicação com a população, que está muito aflita", e logo na manhã de quarta-feira "quando eram evidentes as consequências daquilo que estava a acontecer" deveria ter havido uma comunicação por parte de quem lidera a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

"Ninguém pede ao senhor primeiro-ministro, deixem-me dizer, eu próprio não farei, que no meio desta circunstância os políticos se dirijam em massa para os locais onde objetivamente o que é preciso é apoiar as pessoas. Agora, a comunicação com o território, como fizemos durante a pandemia e em momentos extremos, é central para que as pessoas consigam organizar a sua vida", disse.
"É preciso criar um quadro de conforto e de previsibilidade dentro das circunstâncias que vivemos. Essa comunicação é muito importante. E, por isso, o Governo deve organizar a forma como comunica com a população, como fizemos no quadro da pandemia", reforçou.

Em nome do seu partido, Eurico Brilhante Dias deixou a mensagem de que o PS está a acompanhar a situação, que ainda "não está estabilizada", e acredita que a partir de segunda-feira haverá "condições para que os deputados junto das populações comecem a preparar o acompanhamento da reconstrução, da recuperação".

"O PS está hoje não só ao lado das populações, mas está ao lado das outras instituições, há que dizê-lo, quer do Governo, quer dos outros partidos políticos, para procurarmos as melhores soluções para enfrentarmos coletivamente aquilo que é um desastre natural", declarou.

A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados

Com LUSA