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Leiria cria equipas de psicólogas para apoiar vítimas do mau tempo

A Câmara de Leiria disponibiliza "uma equipa de duas psicólogas que irá estar disponível todos os dias para fazer esse atendimento".

Leiria cria equipas de psicólogas para apoiar vítimas do mau tempo
CARLOS BARROSO/LUSA

A Câmara de Leiria disponibiliza desde hoje apoio psicológico para ajudar pessoas que estão "numa situação de grande fragilidade emocional" devido ao impacto do mau tempo, disse a vereadora Ana Valentim.

"Já tínhamos implementado, desde o início da catástrofe, apoio social na Câmara Municipal. Temos uma equipa a fazer atendimento social a pessoas que precisem de apoio e agora vamos complementar com apoio psicológico", afirmou à agência Lusa Ana Valentim, que tem o pelouro do Desenvolvimento Social.

Segundo a autarca, "as pessoas estão numa grande fragilidade psicológica e precisam de algum apoio", pelo que a autarquia tem "uma equipa de duas psicólogas que irá estar disponível todos os dias para fazer esse atendimento".

"Além disso, vamos reforçar com uma psicóloga na freguesia da Maceira, que está a ter uma grande afluência de pessoas. Já lá temos uma técnica de serviço social a fazer acompanhamento, mas vamos reforçar também com uma psicóloga", adiantou.

Reiterando que, "no meio desta catástrofe, as pessoas estão numa situação de grande fragilidade emocional, precisam de apoio, precisam de alguém que as oiça e que, de facto, lhes dê algum acompanhamento e algum alento no meio desta tragédia", a autarca salientou que, "por isso, o apoio psicológico é fundamental".

De acordo com Ana Valentim, existe "uma grande ansiedade".

"Há uma grande fragilidade emocional, porque há pessoas que perderam as suas casas, perderam os seus postos de trabalho e não conseguem projetar aquilo que é o futuro. E veem realmente uma nuvem muito negra naquilo que é o seu futuro enquanto pessoas e enquanto famílias", admitiu.

A vereadora acrescentou que o município tem "também equipas no terreno a diagnosticar situações de pessoas mais frágeis, nomeadamente os idosos".

Aquelas "estão a fazer um bocadinho um trabalho de porta a porta para perceber quais é que são as situações mais vulneráveis e que tenham de ser encaminhadas, nomeadamente para as estruturas de acolhimento ou, inclusivamente, para lares de idosos", explicou, realçando que "os lares do concelho estão a dar resposta".

"Se tivermos uma situação de um idoso que precise de ser realojado, é muito melhor acolhê-lo numa estrutura residencial", defendeu.

Desde quarta-feira, quando Leiria foi atingida pela depressão Kristin, e até domingo, a autarquia tinha realojado 28 pessoas, em lares, numa estrutura numa coletividade e numa casa municipal na Barreira.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.