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Direitos humanos em Angola: comunidade internacional, Portugal incluído, faz “vista grossa”

Após mais uma vigília pela libertação dos presos políticos abortada pelas forças de autoridade, um ativista e uma socióloga angolanos falam sobre a repressão de direitos como a liberdade de expressão e manifestação

A polícia de Angola impediu no último sábado mais uma vigília “pela liberdade dos presos políticos” e “contra todas as formas de perseguição” no país. Organizada pela União Nacional para a Total Revolução de Angola (UNTRA), a vigília foi, segundo os ativistas, travada pelo forte contingente policial em Luanda, que os intimidou, obrigando a não avançarem com o protesto sob pena de sofrerem as consequências.

Sete ativistas, detidos em julho na sequência da manifestação dos estudantes e da paralisação dos taxistas contra a subida do preço dos combustíveis, e ainda cinco líderes de associações e cooperativas de táxi são considerados “presos políticos” por ativistas e membros da sociedade civil.

Entre os ativistas detidos estão o presidente da UNTRA e também Osvaldo Caholo, que se encontra em greve de fome há vários dias. Caholo fez parte do grupo de dezena e meia de ativistas detidos em 2015, quando analisavam um livro e discutiam métodos pacíficos de protesto. No célebre caso 15+2, foram acusados de tentativa de golpe de Estado por contestarem o Governo do então Presidente José Eduardo dos Santos.

O ativista Kim de Andrade e a socióloga Karina Carvalho, diretora da EthosGov, uma organização da sociedade civil portuguesa dedicada a combater a corrupção transnacional com enfoque na lusofonia, são os convidados desta edição para nos falarem das restrições à liberdade de expressão e de manifestação em Angola, desde 2017 já com João Lourenço na presidência.

Em conversas gravadas em separado, a socióloga e o ativista, ambos angolanos, convergem em vários pontos. “A comunidade internacional não é um aliado em defesa dos direitos humanos em Angola. Aliás, nem Portugal é”, sublinha Karina Carvalho. Kim de Andrade também se queixa da “vista grossa” que a comunidade internacional vai fazendo dos atropelos dos direitos humanos em Angola.

O ativista, que aponta o dedo ao MPLA, “o partido da situação”, também não poupa a oposição. E deixa um lamento: “Estamos sozinhos enquanto jovens ativistas. Não temos o apoio de que devíamos gozar da comunidade internacional. Estamos a lutar completamente isolados, seja da oposição, seja da comunidade internacional.” Quanto a Caholo, diz que o ativista em greve de fome “está a lutar não só pela sua liberdade, mas pela sua própria vida”.

Este episódio é conduzido pelo jornalista Hélder Gomes, cabendo a edição técnica a Tomás Delfim e João Luís Amorim.

O Mundo a Seus Pés é o podcast semanal da secção internacional do Expresso. A condução do debate é rotativa entre os jornalistas Ana França, Catarina Maldonado Vasconcelos, Hélder Gomes, Mara Tribuna e Pedro Cordeiro.

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