Depois da produção de vinhos de excelência, provas e visitas à adega e às vinhas velhas, assim como ao olival centenário, surgiu, em 2024, o The Wine Hotel, um alojamento com capacidade para um máximo de 44 pessoas. Agora, a Quinta do Paral inaugura The Wine Restaurant, o “Restaurante do Vinho” em português, tornando possível almoçar e jantar nesta Quinta situada na Vidigueira.
Além de todas as atividades ligadas às vivências do Alentejo que é possível experienciar na propriedade, a abertura de um restaurante vínico constitui um marco na evolução natural desta quinta numa região com ligação ancestral aos vinhos, os parceiros da boa mesa. A ligação entre gastronomia, vinho e hospitalidade surge reforçada com uma clara aposta na cozinha de raiz alentejana reinterpretada pelo chef José Gala, sempre em forte comunhão com as criações da equipa de enologia liderada por Luís Morgado Leão, um filho da terra.
Com origens alentejanas também, natural de Pias, o chef José Gala trabalhou durante 10 anos no Hotel Méridien, onde atingiu a subchefia de cozinha, passou por Luanda, levando os sabores de Portugal além-fronteiras, e integrou projetos nos Açores, em São Miguel, nos últimos três anos. Em 2025 regressa ao Alentejo para oferecer uma “cozinha de identidade regional, conforto e autenticidade, destacando os produtos e sabores locais como protagonistas absolutos”.
A nova carta apresenta uma sugestão de combinação entre sabores do Alentejo e uma seleção vínica, maioritariamente vinhos da Quinta do Paral, mas também outras propostas nacionais e internacionais, “ícones de cada região”, revela Luís Morgado Leão.
“Mantemos a exclusividade dos vinhos Quinta do Paral no Alentejo, mas alargámos o leque a regiões como Vinho Verde, Dão, Douro e a grandes nomes internacionais de Champagne, Moselle, Toscânia e Califórnia”, conta Maria Pica, Diretora Comercial da Quinta do Paral. “Num projeto que une o vinho à hospitalidade, procurámos uma garrafeira que refletisse diversidade”.
Já entre as sugestões da ementa destacam-se, desde logo, as azeitonas, mas também o azeite virgem extra de aroma e sabor frutados, ambos produtos próprios, oriundos de oliveiras centenárias. Como entrada sugerem-se os “Espargos grelhados, molho holandês de Quinta do Paral Brut Nature, poejo e toucinho crocante” (€17), casado com o Quinta do Paral Branco 2023, e “Molejas de vitela, perna de rã crocante, mostarda antiga e clorofila de ervas aromáticas” (€26), em harmonia com o Quinta do Paral Rosé 2024. Nos pratos vegetarianos combina-se o “Arroz cremoso de cogumelos e Queijo Serpa DOP 12 meses de cura” (€22) com o Quinta do Paral Origem Antão Vaz. O “Polvo assado, duo de grão-de-bico, batata nova e areia de enchidos” (€29) vai bem com o Quinta do Paral Vinhas Velhas Branco e, o prato de carne, “Peito de pombo, foie gras poêlé, risoto do Alentejo e queijo de cabra da Vidigueira” (€35) junta-se ao Quinta do Paral Vinhas Velhas Tinto. Com o “Pudim de Quinta do Paral Talha, uvas e ar de Condessa 1703 35y” (€15) e “O Limão” (€13) sugerem-se o Quinta do Paral Condessa e o Quinta do Paral XXV.
Entre as matérias-primas selecionadas para a confeção dos pratos constam alguns produtos estrela como o arroz da Comporta, o Grão do Mestre, de Beja, o mel de Vila de Frades da Melmequer, os queijos da Vidigueira e da Almocreva, assim como as carnes das raças Mertolenga e Garvonesa. Acrescentam-se ainda enchidos tradicionais, frutas dos pomares da Vidigueira e legumes do Vale das Dúvidas, peixe fresco do litoral alentejano com a marca Nutrifresco e, claro, os vinhos da Quinta do Paral, nascidos da tradição das Vinhas Velhas e da modernidade das 26 castas internacionais, sob a mestria de Luís Morgado Leão.
Antes da experiência no restaurante pode passar pelo The Grape Rooftop para um aperitivo, ao pôr do sol, e para apreciar a panorâmica sobre a vinha e jardins da quinta, assim como a Ermida de Santo António, com origem no século XVII, ou, pela noite, ficar a admirar o incomparável céu estrelado alentejano.
À entrada do restaurante, barricas servem de mesa para sentar e ouvir a natureza enquanto no interior sobressai a garrafeira generosa e translúcida que divide espaços além de pequenos nichos iluminados ocupados por enfusas alentejanas e outras peças de cerâmica. Todos os espaços primam por uma escolha de objetos da autoria de artistas e designers nacionais.
Apesar de aberto ao público em geral, recomenda-se reserva tanto para o restaurante como para o bar do hotel, The Estate Lounge, onde é possível fazer refeições ligeiras.
Vinhas velhas: “um património que não se pode perder”
Além de se sentar à mesa do novo restaurante, a Quinta do Paral dispõe de um Kitchen Lab, onde se realizam oficinas de cozinha, tem possibilidade de aprender a preparar o pão alentejano junto ao forno da Quinta, organiza piqueniques no campo e provas de vinhos com o sommelier ou enólogo, citando apenas alguns dos exemplos disponíveis em termos de experiências ligadas à gastronomia e enologia.
A Quinta conta com 125 hectares, onde 59 hectares são de vinha, dos quais 15 hectares são de vinhas velhas, com mais de 60 anos, datando pelo menos de 1962 quando o primeiro registo de vinhas na Vidigueira, algumas poderão ser mais velhas, procurando o Paral adquirir o máximo possível de área destas vinhas. Porque acreditam que “é um património que não se pode perder”.
“Na base destas vinhas velhas, as castas brancas são Antão Vaz da Vidigueira e Perrum, casta do Alentejo que era o Arinto de antigamente que trazia muita frescura e acidez e equilibrava o vinho do Alentejo”, relata Luís Leote. “Tivemos de fazer um grande trabalho de identificação de castas, tivemos de mandar identificar por ADN porque pela fisionomia do cacho e da folha não conseguimos, mas sabemos que temos Larião, Diagalves, Manteúdo, Uva de Algibeira, algumas castas que só existem naquelas vinhas”. Nas castas tintas sobressaem “essencialmente Aragonez e Tinta Grossa, casta importante da Vidigueira, mas também um pouco de Alfrocheiro, Tinto Cão, Tinta Caiada”. Existe, portanto, nos vinhos feitos a partir de vinhas velhas um “full blend”, incluindo mistura de uvas tintas e brancas. Luís Morgado Leão lembra com graça que quando começou na Adega Cooperativa da Vidigueira faziam “95% de vinho branco e 5% de vinho tinto, em 1995, e mesmo assim houve um ano em que ninguém quis o tinto”.
Felizmente muito se evoluiu em termos de hábitos e mentalidades e a Vidigueira pode dar a conhecer ao mudno todo o potencial enquanto região vitivinícola. The Wine Hotel e The Wine Restaurant (ambos reservadios a maiores de 16 anos) são, sem dúvida espaços-chave para quem pretende conhecer melhor esta região e o que tem para oferecer. É de notar que os primeiros registos que se encontram desta Quinta são de 1703, sendo que chegou a pertencer ao Visconde da Esperança. Diz-se que dava pelo nome de “Quinta do Peral”, eventualmente pela existência de pereiras na zona, porém a oralidade levou a que o nome se transformasse em Quinta do Paral (Quinta do Paral, Pedrógão, Vidigueira. Tel. 284441620). Esta será apenas uma curiosidade entre as muitas por desvendar nesta Quinta e território do interior do Alentejo.
Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa na SIC Notícias, no site do Expresso e ainda no Facebook, no Instagram e na rede X.

