Soito dista cerca de 10 km de Sabugal, a sede deste concelho beirão, serrano e raiano. Foi na pequena aldeia que, há cerca de 50 anos, nasceu a agora famosa “Canja de cornos”. A receita terá nascido de uma quase brincadeira, como petisco entre amigos, preparada por José Manuel Fogeiro, mais conhecido como Zé Nabeiro.
Na época, sempre que era necessário abater uma vitela para o talho de que era proprietário, José Fogeiro juntava os amigos para ajudar e o processo terminava sempre num animado convívio, com o vinho e petiscos. Terá, assim, nascido a “Canja de cornos”, como aproveitamento da cabeça da vitela, confecionada em caldeiro de ferro suspenso sobre brasas.
Graças a esta preparação, o resultado é um caldo de sabor intenso e rico, polvilhado de algumas ervas da horta. Sem levantar o véu do segredo da preparação, a receita ganhou popularidade e deu a conhecer o restaurante Zé Nabeiro, que nas atuais instalações, à porta anuncia: “Carne assada, pão e vinho”.
Explique-se que a “Canja de Cornos”, o prato que mais curiosidade suscita na ementa do restaurante, é quase um prémio final, ao ser aconselhada para rematar o rodízio de carnes preparadas nas brasas: porco (€13) ou grelhada mista (€22), em que brilham cortes de borrego, vitela, porco e leitão, incluindo iscas.
A refeição também inclui uma travessa com a carne de vitela cozida que deu corpo ao caldo. O preço é fixo e as carnes chegam à mesa até o cliente anunciar o fim da aventura, que tem como aliado um intenso picante caseiro com muito alho. O preço fixo inclui ainda a salada mista, queijo, que é sobremesa, café e digestivo.
Com os olhos na panela, Lúcia Fogeiro explica que a canja, com massa estrelinha, levada à mesa em malgas, é feita com o caldo da cozedura da “cabeça, com o tutano do corno, e outras partes da vitela, e ainda temperos da horta”. Numa travessa é também servida a carne cozida. Tome nota: a “Canja de cornos” tem dias fixos: quarta-feira e sábado, com muitos convivas a chegarem do lado de lá da fronteira. A preparação continua a ser feita na enorme lareira existente na sala de refeições, onde caldo apura durante mais de três horas.
Além deste prato popular, que já se transformou em emblema da gastronomia beirã e raiana, a ementa do restaurante Zé Nabeiro, que mantém a vertente de taberna e café, aposta em outras sugestões com dias fixos para que todos saibam com o que contar antes da viagem. Aberto apenas ao almoço, conte com “Dobrada com feijão”, à segunda-feira, “Carne guisada com batata”, à terça, “Grão-de-bico com mão de vaca”, à quinta, e o “Cozido à Casa”, à sexta-feira.
A família Fageiro é proprietária da mercearia e do talho situados junto ao restaurante, o que garante qualidade (e generosidade) nos produtos servidos. Nas sobremesas, o restaurante Zé Nabeiro propõe vários queijos regionais. É sentar-se e usufruir da atmosfera acolhedora e decoração rústica, entre paredes em pedra e tetos de madeira. Antes ou depois, faça uma visita de descoberta do património histórico e natural deste concelho, com partida no castelo.
O restaurante Zé Nabeiro (Rua das Hortas, 9, Soito, Sabugal. Tel. 271605116) é uma das tascas recomendadas no guia “365 Tascas & Marisqueiras”, disponível a partir de 21 de novembro. Encomende já o seu exemplar na loja online, com desconto para assinantes Expresso, ou através do Apoio ao Cliente Impresa (Tel. 214698801).
Petiscos, pratos tradicionais da cozinha popular e mariscadas são o ponto de partida para o guia “365 Tascas & Marisqueiras”, que garante um ano recheado de mesa farta. Dividido entre 250 tascas e 115 marisqueiras – cada área com capa distintiva -, o novo guia, que conta com o apoio do Recheio, apresenta sugestões organizadas por quatro grandes regiões: Norte, Centro, Sul e Ilhas.
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