Investigação SIC

São cada vez mais as pessoas a depender da prostituição e há um sítio onde está a crescer (ainda) mais

Há cada vez mais gente a depender da prostituição para pagar as contas. O trabalho sexual de rua está a receber novas mulheres, mas onde mais está a crescer é na internet. O Estado não reconhece a profissão, mas há formas de contornar o sistema e fazer descontos para a Segurança Social com dinheiro do trabalho sexual, como revelamos nesta Investigação SIC.

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A berma da reta de Coina é como uma montra. Por ali passam milhares de condutores todos os dias. O negócio faz-se com os que param mas já viu melhores dias.

Gabi, o nome que criou quando começou a fazer trabalho sexual há 14 anos, falou com a Investigação SIC. Acha que ninguém da família sabe. Aos filhos, diz que trabalha num lar de idosos.

Até encontrou trabalho numa fábrica de tomate e a fazer limpezas, mas diz que ganha mais a trabalhar na tenda improvisada, para ter e dar mais privacidade a quem a procura.

Mas a Gabi é apenas uma. Em pouco mais de três quilómetros encontrámos dez mulheres a fazer trabalho sexual e muitos lugares de paragem desocupados.

Há alguns anos, havia o triplo, mas o número está novamente a crescer. O aumento do custo de vida é a principal razão dada por estas mulheres para fazerem trabalho sexual.

Mas a reta de Coina é apenas um exemplo. A prostituição acontece todos os dias em Portugal e um pouco por toda à parte. Imagens gravadas pela Investigação SIC em Lisboa, perto do Marquês de Pombal, mostram como em poucos minutos a oferta de trabalho sexual encontra procura.

Os carros passam por outra espécie de montra viva na Rua Rodrigo da Fonseca, escolhem a companhia preferida, dão a volta, param e seguem para um local mais privado.

A verdade é que nada disto é crime. Portugal não proíbe a prostituição ou o trabalho sexual, mas criminaliza o lenocínio - tudo o que seja favorecer ou facilitar o exercício da prostituição. E isso tem levado a situações que chegam a ser insólitas.

Nesta Investigação SIC percorremos o país de Norte a Sul e revelamos mais histórias como as de Gabi, que um dia pensou que seria só por um ano e já lá vão… 14.