Polígrafo SIC

“Se o Chega quiser viabilizar o Governo da esquerda, desaparecerá poucos dias depois”

Adolfo Mesquita Nunes, ex-dirigente do CDS, defende que não se fazem acordos com o Chega, o partido é que tem de escolher se quer viabilizar o Governo de esquerda ou de direita

As sondagens não têm sido favoráveis ao CDS, mas Adolfo Mesquita Nunes, ex-vice-presidente do partido, lembra que em outras alturas os democratas cristãos também recuperaram. Em entrevista ao Polígrafo/SIC, Mesquita Nunes fala ainda da possibilidade de ter o Chega como um dos partidos que viabiliza um Governo de direita.

“Se os deputados do Chega forem essenciais para formar uma maioria, a única coisa com que o Chega tem de ser confrontado é: quer viabilizar o Governo da esquerda ou o da direita? Mais nada. E se o Chega quiser viabilizar o Governo da esquerda, desaparecerá poucos dias depois”, responde o ex-dirigente do CDS admitindo que é preferível não depender do partido de André Ventura.

Para Mesquita Nunes é preciso saber se o partido é visto como um concorrente do CDS ou se as propostas e medidas apresentadas pelo Chega “causam repulsa”.

“Se nós acharmos – e eu acho – que esse partido está para lá do centro direita democrática popular e têm propostas que nos causam repulsa, então não podemos achar que é um partido concorrente ao nosso”, afirma reforçando que a decisão de viabilizar o Governo de direita será tomada pelo partido.

Sobre a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos, o antigo dirigente não vê razão para que o líder se afaste, mas admitiu que as autárquicas serão um "teste de sobrevivência" ao CDS.

Mesquita Nunes defende ainda que a decisão de apoiar Marcelo Rebelo de Sousa na candidatura à Presidência da República deveria ter sido feita de outra forma: ou através da apresentação de uma candidatura própria ou anunciando o apoio com maior antecedência.

“O CDS tomou a decisão que tomou este fim de semana. Neste fim de semana não havia qualquer espaço para se lançar nenhuma candidatura”, afirma recusando querer ele próprio ser candidato.

Quando questionado sobre a possibilidade da deputada Cecília Meireles abandonar o parlamento para dar lugar a Francisco Rodrigues dos Santos, o ex-dirigente considera que essa ideia – que foi apresentada e recusada no congresso do partido – não faz sentido. Para Mesquita Nunes, Cecília Meireles “tem o dever de ser deputada” e caso tal acontecesse, seria “sinal que o partido tinha perdido qualquer contacto com a realidade”.