Num mosteiro a cerca de 135 quilómetros de Banguecoque, dezenas de homens alinham-se para um banho de vapor escaldante, apesar da temperatura exterior rondar os 35 °C. O calor é apenas o início de um ritual obscuro e desconfortável, mas que promete libertação.
Após o banho, os pacientes ingerem uma poção verde-escura composta por mais de 100 ingredientes, ao som de música ambiente. Pouco depois, ajoelham-se lado a lado e vomitam. É um processo intenso, mas muitos emergem com uma sensação de renovação.
"Depois de vomitar, fico tonto, mas depois sinto-me muito melhor. Sinto-me fresco, como se todas as toxinas tivessem saído do meu corpo."
Mais de 100 mil pessoas já passaram por este programa, que começa com um voto sagrado para abandonar a droga.
A yaba é um estimulante muito poderoso, conhecido na Tailândia como "medicamento louco".
Fluk, trabalhador da construção civil, tomava 10 comprimidos por dia.
"Comecei para ter energia para trabalhar. Mas quando não tomava, era insuportável. Não conseguia sequer sentar-me direito. Dormia o tempo todo."
A antiga capital mundial do ópio, o Triângulo Dourado, na fronteira entre Myanmar, Tailândia e Laos, é agora um centro de produção de drogas sintéticas. A instabilidade e o conflito em Myanmar criaram o ambiente perfeito para a produção de metanfetaminas. O coronel Anuwach Punyanun explica que os laboratórios estão em zonas de minorias étnicas em Myanmar, onde forças estrangeiras não conseguem operar.
"Estes grupos precisam de rendimento para sustentar as suas milícias."
Nos arredores de Banguecoque, a dimensão do problema é evidente: oito milhões de comprimidos de yaba foram recentemente apreendidos pela polícia. Os comprimidos, que podem custar apenas 10 cêntimos cada, são analisados por uma equipa forense. Benedikt Hofmann trabalha para as Nações Unidas na região e explica como se tornou simples produzir estas substâncias.
"Com acesso a químicos, um bom químico e um local para misturar, pode-se produzir o que se quiser. Não há limite."
O resultado? Um enorme crescimento na produção e tráfico de metanfetaminas, com o Estado Shan, em Myanmar, como epicentro. Em 2024, foram apreendidas 236 toneladas de metanfetamina na Ásia Oriental e Sudeste Asiático, mais 24% do que em 2023.
