Silva Pires

Jornalista

Volante

Polestar 5 é um poço de potência

Sem surpresa, o Polestar 5 é um daqueles automóveis que impressiona. Desportivo e moderno, formas bem esculpidas, elegante, controverso também pela falta de um verdadeiro óculo traseiro, bem agarrado ao solo pelas jantes de grandes dimensões, parece um protótipo. E até deriva de um desses estudos de design, o Precept, aliás muito próximo da realidade.

Polestar 5 é um poço de potência
Stefan Isaksson

Grande Turismo de quatro portas, carroçaria em alumínio, cinco metros de comprimento, perfil de asa a deixar claro a importância dada à aerodinâmica, frente mergulhante, traseira cortada de estilo familiar, assinatura luminosa com a originalidade da marca da casa e muito conseguida, este 100 por cento elétrico responde à pureza da imagem com números a condizer com a máquina que transparece.

Duas versões, ambas com dois motores, potências de 748cv (812 Nm) ou 884 cv (1 015 Nm), 3,9 ou 3,2 segundos de 0 a 100, velocidade limitada a 250 km/h em qualquer das escolhas.

STEFAN ISAKSSON

A bateria de iões de lítio tem 112 kWh de capacidade (106 kWh úteis). No que respeita a autonomia, como todos os números ainda por confirmar, a marca promete 670 e 565 km, respetivamente.

Resta saber o que consegue alcançar quem puser à prova esta brutalidade de potência… Beneficiando de uma arquitetura de 800 V (estreia na marca), capaz de carregar a 350 kW, 22 minutos bastam para levar a bateria dos 10 aos 80% da capacidade. A 11kW, são necessárias 11 horas para “atestar”.

Stefan Isaksson

A Polestar tem ambições de fazer sombra a algumas marcas reconhecidas pela performance e o pedigree desportivo, há mesmo quem diga que o Porsche Taycan é concorrente a desafiar. Eles lá sabem, será aguardar para ver, até por os preços serem, do meu ponto de vista, limitativos de tão pouco comedidos: 122 600€, para o menos potente, Dual Motor; 146 400€, para a versão Performance.

Construído sobre uma nova plataforma de alumínio com a bateria (SK On) integrada, o Polestar 5 conta com travões de disco de duas peças com quatro pistões da Brembo, à frente, e pinças de mão atrás com travão de mão integrado.

Os amortecedores são BMI passivos, no Dual Motor, enquanto o Performance utiliza amortecimento adaptativo. Os pneus são Michelin projetados especificamente para as combinações de jantes de 20 a 22 polegadas. O peso é da ordem das 2,5 toneladas.

Os motores são de íman permanente ZF, à frente; e PX2 atrás, estes desenvolvidos internamente. Transmissão de velocidade única, quatro rodas motrizes, a versão Dual Motor apresente a particularidade de o motor traseiro poder ser desligado, para ganhos de eficiência.

Stefan Isaksson

Tudo isto é vivido num ambiente minimalista, habitáculo simples e sóbrio, requintado também, com uma configuração que a Polestar chama de 4+1. Contamos com quatro lugares em bancos Recaro com o mesmo design.

Atrás, são separados por um apoio de braços que aproveita o desfasamento dos recostos para oferecer um quinto lugar, limitado, naturalmente. Curiosidade, um recorte na bateria, conhecido como “garagem para os pés”, atrás dos bancos dianteiros, oferece mais espaço e uma posição de assento mais natural para quem viaja nos lugares traseiros.

A posição de condução é reclinada, tendo como foco a performance, graças aos bancos rebaixados e ao volante em ângulo vertical aproximado do condutor. O display do condutor tem nove polegadas, é montado diretamente na coluna de direção, ajustável eletricamente, garantindo colocação perfeita na linha de visão, independentemente da posição escolhida. O head-up display tem 9,5 polegadas e projeta as informações focadas no condutor.

A construção é irrepreensível, a qualidade dos materiais própria de um premium. Pormenor sempre controverso, a substituição do óculo traseiro pelo maior tejadilho vidrado da Polestar. Que não impede a necessidade de recorrer a um retrovisor por câmara, solução nem sempre cómoda para todos os automobilistas.

A versão Dual Motor já pode ser encomendada em Portugal.