Silva Pires

Jornalista

Volante

Renault Clio VI mantém estatuto

Vai na sexta geração, foi duas vezes Carro do Ano Internacional e sempre uma referência da marca ao longo dos seus 35 anos de existência e, agora, aí está mais um Clio para continuar a dar que falar entre os seus pares.

Renault Clio VI mantém estatuto
Clément Choulot

A marca francesa jogou ao ataque e apresenta mais automóvel que, para mim, mantém-se uma das referências no segmento B. Mais presença, qualidade em bom nível, ambiente agradável, cómodo, espaçoso q.b., dinâmica exemplar, motores à medida do mercado. Enfim, bem feito e com preços razoáveis, a partir de 21 990€. Já pode ser encomendado. 

Ainda que reconhecível, o Clio VI passa uma significativa revolução estética e até parece difícil admitir que escassos sete centímetros a mais (agora 4,12 m de comprimento) façam tanta diferença na imagem de um carro com uma frente mais marcante (capô tem mais 2,6 cm) e expressiva também.

Perfil elegante, com um arco esculpido sobre as portas, que lhe empresta músculo elaborado, tejadilho suavemente inclinado prolongado por um spoiler, ao estilo de um coupé, pormenor acentuado pelos fechos das portas traseira “encaixados” na moldura do vidro.

Enfim, traseira muito desportiva, carregando mais um elemento aerodinâmico, um defletor moldado na bem trabalhada porta da bagageira, ombros bem definidos, quatro luzes (como nos desportivos) estendidas pelos vincados espaços convexos que dão força suplementar ao pilar C no mínimo, original! 

É um carro vistoso e ainda agressivo pelo tratamento dado à grelha dianteira, malha em forma de losangos adiamantados, amenizada por padrões graduados, entradas de ar laterais incluindo as cortinas de ar.

Cuidada maquilhagem que ganha ainda com os faróis flutuantes e as luzes diurnas, também em forma de diamante. Tudo isto, a juntar às vias mais largas e aos aros negros a envolverem as jantes que podem chegar às 18 polegadas empresta ao Clio uma presença mais forte e uma postura convincente em estrada. Moderno, arrojado e conseguido! 

No que respeita ao interior, temos um ambiente típico da Renault, mesmo que a solução para adaptar o digital assuma a horizontalidade e passe agora por um ecrã duplo em “V”, para mim um ganho na facilidade de leitura da informação.

O sistema de infoentreteniento contempla o Google e em 2026 recebe o Gemini. A filosofia salvaguarda teclas físicas sob o ecrã e mantém o botão da ignição. O volante de boa pega, multifunções prático, segue a linha quadralizada dos topos de gama e continua a manter os comandos do seletor de marcha, do limpa para brisas e das funções do rádio do lado direito. São braços a mais e a Renault tarda em reconhecer que falta uma solução mais prática! 

Estou a escrever sobre a versão Techno, a qual conduzi, oferta intermédia, que continua a apresentar muito plástico. A qualidade, no entanto, não mereça reparos, também há pele sintética, as zonas de matéria rugosa foram escolhidas com critério e as habituais superfícies revestidas a tecido são importantes para retirar frieza ao ambiente e contribuir para o conforto a bordo.

Curiosidade, no forro das portas dianteiras, uma estilizada lâmina plástica incorpora luz vermelha que acende no movimento de abertura quando se aproxima um automóvel – segurança reforçada. Convém é fazer o mesmo atrás. 

A maior distância entre eixos (1 cm), influencia pouco a habitabilidade que também nunca foi elemento de relevo no Clio, especialmente atrás, onde o espaço para as pernas é vulgar e o acesso um pouco penalizado pela linha do tejadilho.

Normal nos hatchback e, verdadeiramente, só razão de reparo para quem se habituou à altura dos SUV... A bagageira está na média da oferta e ganhou 10 litros, oferecendo agora 319 litros de capacidade e melhor facilidade de acesso, já que a base da moldura da porta ficou 4 cm mais baixa. 

Acaba o Diesel e continua o GPL

Construído sobre a mesma plataforma, o Clio VI vai contar com três motorizações novas a gasolina, uma delas “casada” com o GPL e vai abandonar as soluções Diesel. 

 A entrada de gama cabe a um bloco três cilindros 1.2 Turbo a debitar 115 cv e 190 Nm de binário, para o qual está anunciada uma média de consumo de 5 litros aos 100 km/h.  

Terá caixas de velocidade manual de seis velocidades ou uma automática de dupla embraiagem com o mesmo número de relações. A versão a GPL Eco-G 120 EDC), passa, por sua vez, disponibilizará um motor 1.2 com 120 cv de potência; o depósito de gás passa a ser de 50 litros (+18!) o que permitirá uma autonomia na casa dos 1450 km. 

Na apresentação internacional do Clio VI, que decorreu na zona do Estoril, estava apenas disponível o terceiro dos motores, o E-Tech full-hybrid, agora com bloco 1.8 atmosférico, bateria de 1,4 kWh a debitar a potência total de 160 cv e binários máximos de 172 Nm a gasolina e 205 Nm do motor elétrico, este com 49 cv. A caixa é a multimodo que passa a ser capaz de 15 combinações (mais uma). 

Malquisto pelas autoridades portuguesas, que continuam a penalizar fiscalmente pela cilindrada um automóvel que consome menos e polui menos (89 g/km contra 114 g/km dos três cilindros) do que a versão de entrada capaz de rolar mais de metade do tempo em modo elétrico (pode mesmo chegar aos 80%! em cidade) é um motor que assenta como uma luva no Clio VI.  

Mas pagar de imposto quase seis vezes mais (3 838€+IVA) afasta muito potenciais compradores. Uma pena já que estamos face a solução que parece a mais adequada para esmagadora maioria dos automobilistas que gostavam de poupar e contribuir para uma redução das emissões de CO2, não têm logística para um PHEV ou, pura e simplesmente, não os querem. 

A condução deste Clio VI é uma agradável experiência. A caixa multimodo continua a evoluir e dá resposta convincente, o carro é despachado e a eficiência em termos de consumo é fácil de ver pelo número de vez que acende a luz piloto do funcionamento em modo elétrico. A regeneração convence e os travões dão uma ajuda pela afinação que os torna eficazes e nada esponjosos. A direção está muito bem calibrada. 

Daqui um carro com um chassis conhecido pelo equilíbrio e eficácia, que proporciona excelente comportamento em curva, e é garantia de conforto. O alargamento das vias é elemento a ter em conta também neste aspecto, já que, apesar das jantes de 18 da versão ensaiada, os pneus mantêm paredes altas e o amortecimento está sempre em bom plano. 

Os modos de condução, Eco/Confort/Sport, escolhidos no botão no volante, trazem a novidade do modo Smart que decide automaticamente qual a melhor opção, de acordo com a estrada e o estilo de condução, e que pode mesmo chegar ao Eco. 

Quanto a consumos, mesmo que não seja fácil atingir os 3,9 litros de média anunciada, é fácil baixar dos 5 litros em passeio e fazer menos de 6 litros sem grandes preocupações de poupar, mesmo que nestes carros isso represente um desafio.  

Este E-Tech Full Hybrid na versão Esprit Alpine, terá um preço de 28 990€; o TCE Evolution (versão base é proposto por 21 990€; o bifuel Eco-G 120 EDC chega em meados de 2026 e ainda não tem preço definido.