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O que podemos fazer para ajudar a prevenir o aparecimento do cancro?

A prevenção esteve no centro da conversa do mais recente "Vamos falar?", rubrica organizada pelo "Tenho Cancro. E depois?"

Um estudo publicado na revista académica “Annals of Oncology” revelou que mais de 360 mil mortes por cancro podem ser evitadas, por ano, em toda a Europa, devido à prevenção e à maior capacidade dos meios de diagnóstico e tratamento

Qualquer pessoa pode desenvolver um tumor maligno devido a fatores genéticos ou hereditários que não pode controlar. Mas há agentes externos que enfraquecem as defesas do organismo e aumentam o risco. E são esses agentes externos que cada um de nós pode prevenir. Nesse sentido, a rubrica do projeto "Tenho Cancro. E depois?" - intitulada "Vamos Falar?" - convidou o coordenador do Grupo de Trabalho da Prevenção na SPO e Membro da Direção da SPO, Nuno Bonito, e médica de Saúde Pública e coordenadora Clínica do Serviço Médico Online Médis, Liliana Gomes, para uma sessão de esclarecimento sobre a prevenção das doenças oncológicas, moderada pela jornalista da Sic Notícias, Rita Neves.

Principais conclusões

- O oncologista Nuno Bonito considera que "temos um longo caminho a percorrer" ao nível da prevenção. De recordar que, apesar do cancro ser a doença que mais preocupa os portugueses, apenas 14% considera estar bem informado sobre esta temática e só 32% considera que a mudança de comportamentos pode diminuir o aparecimento de cancro (dados retirados do estudo "Cancro. Perceções da População Portuguesa", realizado pela GSK). Para o especialista, uma prevenção bem sucedida começa com "uma interligação direta entre os cuidados de saúde primários e os cuidados diferenciados".

- Aumentar a literacia é uma prioridade para os especialistas. Esta pode ser feita, por exemplo, através de investimento em mais em ações de promoção inovadoras e com linguagem adaptada - também nas escolas, tanto para jovens, como para pais e professores - direcionadas para a abstinência tabágica e alcóolica, conselhos nutricionais, prática de exercício físico regular, sexualidade responsável, vacinação, higiene e segurança no trabalho, entre outros. Para Liliana Gomes, médica de Sáude Pública, "a mensagem não tem sido passada corretamente", sendo que grande parte da população "não entende os benefícios da adoção de estilos de vida saudáveis ou riscos que pode ter determinado comportamento", como é o caso do consumo de álcool ou tabaco (fumado de forma tradicional ou alternativa).

- No que toca à prevenção secundária, e apesar de Portugal ter rastreios de base populacional implementados de forma bem sucedida, é necessário incentivar a população a realizar rastreios oportunistas para "diminuir a eventualidade dos indivíduos de virem a desenvolver alguma doença oncológica", explica Nuno Bonito.

- Segundo Liliana Gomes e Nuno Bonito, "mais financiamento e mais recursos humanos" são dois dos principais ingredientes para uma prevenção bem sucedida, assim como garantir o acesso a toda a população a hábitos de vida mais saudáveis. A médica de Saúde Pública põe ainda a tónica na importância das instituições locais - devido à proximidade que têm com os cidadãos - poderem contribuir de forma ativa na promoção da prevenção e identificação de problemas.

No final da sessão, Natacha Vaz Liti, presidente da associação Melanoma Portugal, e José Costa, presidente da direção da associação Portuguesa de Limitados da Voz, colocaram as suas perguntas aos especialistas presentes.

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12 recomendações

A Comissão Europeia ao elaborar o Código Contra o Cancro incluiu 12 recomendações que, se fossem levadas à prática por cada cidadão, poderiam reduzir para metade o número de mortes por cancro no espaço europeu. As recomendações são as seguintes:

1. Não fume. Não use qualquer forma de tabaco.

2. Faça da sua casa uma casa sem fumo. Apoie regras antitabágicas no seu local de trabalho.

3. Tome medidas para ter um peso saudável.

4. Mantenha-se fisicamente ativo no dia-a-dia. Limite o tempo que passa sentado.

5. Tenha uma dieta saudável: ( Coma bastantes cereais integrais, leguminosas, vegetais e frutas; Limite os alimentos muito calóricos (com muito açúcar ou gordura) e evite as bebidas açucaradas; Evite as carnes processadas (enchidos, carnes fumadas, etc.); limite as carnes vermelhas e os alimentos com elevado teor de sal.

6. Se consumir álcool, limite o seu consumo. Não consumir bebidas alcoólicas é benéfico para a prevenção do cancro.

7. Evite a exposição excessiva ao sol, especialmente para as crianças. Use protetor solar. Não use solários.

8. No seu local de trabalho, proteja-se de substâncias cancerígenas seguindo as instruções de segurança e saúde.

9. Verifique se está exposto a radiação derivada de altos níveis de radão natural em casa.

10. Para as mulheres ( A amamentação reduz o risco de cancro da mama. Se puder, amamente o seu bebé; A terapêutica hormonal de substituição (THS) aumenta o risco de determinados cancros. Limite o recurso à THS.

11. Assegure-se de que os seus filhos estão vacinados contra Hepatite B e Vírus do papiloma humano (HPV) (raparigas).

12.Participe em programas organizados de rastreio contra o cancro da mama, colorretal e colo do útero.

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