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Crianças com cancro: apoios aos pais vão subir, mas há ainda um (longo) caminho a percorrer

Pais e a associação Acreditar entregaram uma carta à aberta Presidência da República, Assembleia da República e Governo, onde propõe "medidas concretas para garantir condições justas a quem cuida e melhores respostas para as famílias durante o tratamento".

Os pais de crianças com cancro vão ter um aumento do subsídio por assistência, que passa de 65% para 100% do salário, até ao limite de €1600 e apenas para um dos pais
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Os pais de crianças com cancro vão ter um aumento do subsídio por assistência, que passa de 65% para 100% do salário, até ao limite de 1.600 euros e apenas para um dos pais.

Rui Moreira Claro é recebido nas Casas da Acreditar, um local onde são acolhidas as famílias que têm crianças em tratamentos nos centros de referência e que, como Rui, ficaram com a vida virada do avesso depois de o filho ter sido diagnosticado com cancro.

Os apoios do Estado para pais com filhos com cancro é, até este ano, correspondente a 65% dos rendimentos, com um máximo de dois indexantes dos apoios sociais: pouco mais de 1.000 euros. É pago apenas a um dos progenitores, enquanto se deduz que o outro continue a trabalhar.

Há uma perda de rendimentos que, pelas contas da Acreditar, ronda, em média, os 400 euros mensais, numa altura em que as despesas aumentam.

Uma realidade prestes a mudar já a partir do próximo ano. Na discussão do Orçamento do Estado do próximo ano, foi aprovado o aumento do subsidio para pais com filhos com doença oncológica: vai passar a ser pago a 100%, com limite de três indexantes dos apoios sociais. O fruto de uma luta de vários anos.

Apesar desta conquista, há ainda um longo caminho a percorrer e, nesse sentido, os pais e a Acreditar entregaram uma carta aberta dirigida à Presidência da República, Assembleia da República e Governo, onde propõe "medidas concretas para garantir condições justas a quem cuida e melhores respostas para as famílias durante o tratamento".

Em Portugal, são diagnosticadas com cancro 400 crianças todos os anos. É uma das mais altas taxas de incidência da União Europeia, estimando-se que cada diagnóstico impacte cerca de 100 pessoas.