Cultura

Prémio Nobel da Literatura atribuído à escritora francesa Annie Ernaux

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A autora de 82 anos é a 17.ª mulher a ser distinguida com este galardão atribuído pela Academia Sueca.

O Prémio Nobel da Literatura foi anunciado esta quinta-feira pela Academia Sueca. A distinção foi atribuída este ano à escritora francesa Annie Ernaux, para quem receber o Nobel da Literatura é "uma grande honra e uma enorme responsabilidade” e também a demonstração de uma forma de "verdade, de justiça em relação ao mundo".

Nascida em 1940, na Normandia, Annie Ernaux é uma escritora e professora francesa. A sua obra literária é principalmente autobiográfica e remete para a área da Sociologia.

Annie Ernaux foi laureada com o Nobel de Literatura de 2022 “pela coragem e acuidade clínica com que descortina as raízes, as indiferenças e as limitações coletivas das memórias pessoais”, justificou a Academia.

A editora de Cultura da SIC, Graça Costa Pereira, considera que a atribuição do Nobel da Literatura à escritora Annie Ernaux já era de certo modo esperada.

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Michel Houellebecq, Anne Carson, Adonis, Ngugi Wa Thiong'o e Salman Rushdie eram também alguns dos escritores apontados pelas casas de apostas como principais candidatos ao Nobel da Literatura de 2022.

O Nobel de Literatura é considerado o mais prestigiado prémio na área literária. No ano passado, foi ganho pelo romancista tanzaniano Abdulrazak Gurnah.

No seu testamento, o inventor Alfred Nobel confiou à instituição sueca a missão de recompensar a cada ano o "autor da obra literária mais transcendente de inspiração idealista".

Annie Ernaux no grupo restrito de mulheres distinguidas com o Nobel da Literatura

A escritora passou a infância e juventude na pequena localidade de Yvetot, na Normandia. Nascida numa família modesta, de pais inicialmente operários, depois pequenos comerciantes, Annie Ernaux estudou na Universidade de Rouen e Bordéus.

A autora francesa, de 82 anos, é a 17.ª mulher a ser distinguida com o Nobel da Literatura, em mais de 100 galardoados com este prémio.

A última mulher a receber o prémio foi Louise Glück, em 2020. Nos últimos anos, o Comité tem procurado incluir mais mulheres, que raramente eram contempladas, atribuindo o Nobel da Literatura a uma mulher de dois em dois anos desde 2013, quando a canadiana Alice Munro foi galardoada.

"Na sua escrita, de forma consistente e a partir de diferentes perspetivas, Ernaux examina a vida, marcada por fortes disparidades sobre género, linguagem e classe. O seu caminho para a criação autoral foi longo e árduo", lê-se na justificação da Academia.


Autora de "Os Anos" e "Uma Paixão Simples", Annie Ernaux tem sido um nome sempre falado para os principais prémios literários, regressou à primeira linha das possíveis escolhas para o Nobel da Literatura, exatamente após a publicação do seu romance "L'événement"/ "O Acontecimento", baseado na sua própria experiência.

A obra recentemente publicada em Portugal descreve a angústia de uma jovem estudante obrigada a um aborto clandestino, em França, em 1964, 11 anos antes da despenalização no país.


Adaptado ao cinema pela realizadora francesa Audrey Diwan, o filme, de título homónimo, venceu o Leão de Ouro de melhor filme, o prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2021.

Obras de Annie Ernaux publicadas em Portugal


Em Portugal, a escritora é atualmente publicada pelo grupo Porto Editora.


A editora portuguesa da escritora define-a como "uma das vozes mais importantes da literatura francesa", na atualidade, "destacando-se por uma escrita na qual se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes".


Foi distinguida com o Prémio de Língua Francesa (2008), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017), o Prémio Formentor de las Letras (2019) e o Prémio Prince Pierre do Mónaco (2021) pelo conjunto da obra.


"Um Lugar ao Sol" (1984), vencedor do Prémio Renaudot, e "Os Anos" (2008), vencedor do Prémio Marguerite Duras e finalista do Prémio Man Booker Internacional, estão entre os seus mais conhecidos títulos.


Em Portugal foram publicados "O lugar", pela editora Fragmentos, em 1987, "Os anos", numa nova edição dos Livros do Brasil, em 2020, assim como "Uma paixão simples", que surgiram em Portugal ainda na década de 1990.


"O Acontecimento" prosseguiu este ano a publicação da obra de Annie Ernaux, nesta chancela da Porto Editora.

Leonardo Cendamo

O Nobel da Literatura português

O único escritor português distinguido com o prémio foi, em 1998, José Saramago. Outros nomes da literatura nacional foram nomeados, mas nunca conquistaram o galardão, como é o caso de João Gonçalves Zarco da Câmara, João Bonança, António Correia de Oliveira, Maria Madalena de Martel Patrício, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas e Miguel Torga.

Além do Nobel da Literatura, este ano já foram anunciadas as distinções do Nobel para a área científica - Medicina, Física e Química. Esta sexta-feira será a vez do Nobel da Paz e na próxima segunda-feira o da Economia.

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