Economia

Corrida às bombas de gasolina

ESTELA SILVA

GNR escolta camiões com combustíveis que vão para o aeroporto de Lisboa.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas está a afetar o abastecimento de combustível em várias zonas do país.

Não só os aeroportos de Lisboa e de Faro foram afetados, como também há gasolineiras sem combustível e uma corrida aos postos de abastecimento.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Saiba quais os postos de abastecimento que estão sem combustível

A VOST Portugal e o Fogos.pt criaram uma plataforma que ajuda a perceber quais os portos de abastecimento que estão sem combustível. A plataforma pode ser vista aqui.

Às 18:37, 404 postos de abastecimento já não tinham gasóleo, 99 estavam sem gasolina e 282 sem os dois combustíveis.

Corrida às bombas de gasolina

Nas redes sociais, começaram a surgir imagens enchentes nas bombas de gasolina. Os relatos dão conta que vários postos já ficaram sem combustível e que alguns já estão até fechados.

Aeroportos sem abastecimento de combustível

O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, ficou sem abastecimento às 12:00 desta terça-feira, segundo fonte oficial da ANA - Aeroportos de Portugal. Na segunda-feira à noite, já tinha acontecido o mesmo no aeroporto de Faro, onde as reservas de emergência de combustível foram atingidas.

A TAP elaborou um plano de contingência para limitar ao máximo o impacto da greve e espera que a "situação se resolva com a maior celeridade possível".

Falta de combustível obriga avião da Easyjet a ir abastecer a Sevilha

Seis voos da EasyJet têm de fazer paragens técnicas para abastecer combustível devido à greve no transporte de materiais perigosos. Um avião da companhia aérea que estava previsto sair de de Faro às 17h05 com destino a Berlim vai ter de parar em Sevilha para abastecer combustível.

ESTELA SILVA

GNR escolta camiões com combustíveis que vão para o aeroporto de Lisboa

Oito camiões cisterna que abasteceram na Companhia Logística de Combustíveis, em Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, já saíram em direção ao aeroporto de Lisboa, escoltados pela GNR.

CARLOS BARROSO

Segundo a Lusa, o ministro da Economia, Siza Vieira, apelou aos motoristas de mercadorias perigosas que estão em greve para que cumpram os serviços mínimos decretados no âmbito da requisição civil.

Já Marcelo Rebelo de Sousa disse que espera que se estabeleça um diálogo entre o Governo e os motoristas de matérias perigosas. O Presidente da República garantiu ainda que o Executivo de António Costa está a tentar estabilizar as possíveis falhas no abastecimento de combustíveis.

Transportadoras rodoviárias em situação "limite" por falta de combustível

A empresas de transportes rodoviários estão "já nos limites" devido à falta de combustível, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP).

"Já havia recusas de abastecimentos por parte das petrolíferas e agora é uma questão de se esgotarem as reservas", referiu o líder associativo à agência de notícias.

A ANTROP espera que o problema "fique resolvido rapidamente, senão vamos ter situações no curto prazo muito complicadas", disse Cabaço Martins, que reforçou que espera que a questão seja solucionada "entre hoje e amanhã, porque de outra forma começamos seguramente a ter problemas na circulação".

Perante a situação, o CDS chamou, com caracter de urgência, o ministro do ambiente ao Parlamento. Os centristas exigem que o Governo garanta que não haverá um colapso no abastecimento de combustíveis.

Governo avança com requisição civil

O Governo aprovou esta terça-feira uma resolução do Conselho de Ministros que reconhece a necessidade de proceder à requisição civil dos motoristas de matérias perigosas.

"A greve em curso afeta o abastecimento de combustíveis aos aeroportos, bombeiros e portos, bem como o abastecimento de combustíveis às empresas de transportes públicos e aos postos de abastecimento da grande Lisboa e do grande Porto.

A presente requisição civil impõe-se de modo a assegurar a satisfação de necessidades sociais impreteríveis na distribuição de combustíveis, depois de se ter constatado que no dia 15 de abril não foram assegurados os serviços mínimos fixados no Despacho n.º 30/2019, de 10 de abril, dos Ministros do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética."

Mas o sindicato nacional dos motoristas de matérias perigosas contestou a decisão. Os dirigentes dizem que o Executivo tomou a decisão sem sequer ouvir os grevistas, como refere Pedro Pardal Henriques.

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