Economia

Reviravolta na TAP. Nacionalização pode não avançar

Notícia SIC

Rafael Marchante

Companhia brasileira Azul prestes a ceder direitos de transformação em ações do empréstimo que fez à TAP em 2016.

A SIC sabe que a companhia brasileira Azul, presidida por David Neeleman, está prestes a ceder à exigência do Governo.

O Executivo quer que a Azul abdique do direito de converter um empréstimo que fez à TAP, de 90 milhões de euros, em capital da empresa. A ideia é garantir que, no futuro, a brasileira não possa reclamar parte do controlo da transportadora portuguesa já reestruturada.

Azul quer receber 90 milhões de volta quando empréstimo terminar

Parece estar ultrapassado aquele que era o último obstáculo para a compra da posição do acionista americano na transportadora portuguesa. Como contrapartida, sabe a SIC, a companhia brasileira Azul quer receber de volta dos 90 milhões de euros quando o empréstimo terminar, daqui a seis anos.

Este acordo deve ficar fechado nas próximas horas, antes da decisão do Conselho de Ministros, que assim poderá evitar a nacionalização da companhia.

A confirmar-se o acordo, Neeleman sai da TAP, que se torna maioritariamente pública, com o Estado a deter mais de 70 por cento do capital e Humberto Pedrosa, o outro acionista privado português, perto de 30 por cento.

Regis Duvignau

"SE A TAP DESAPARECER CRIA-SE UM BURACO AINDA MAIOR"

José Gomes Ferreira analisou, no Jornal da Noite de ontem, os vários cenários para a reestruturação da companhia aérea:

"Portugueses vão ter um novo BES transformado em companhia de aviação"

João Vieira Pereira e Paulo Baldaia também analisaram a situação da TAP na Edição da Noite de quarta-feira.

De acordo com João Vieira Pereira, diretor do Expresso, a prioridade neste momento é arranjar uma solução para a transportadora nacional, com vista a colocar um ponto final ao impasse que se tem arrastado até agora.

Defende também que a insolvência da TAP seria o pior cenário, porque Portugal precisa de "uma companhia aérea forte".

Também Paulo Baldaia, comentador da SIC, concorda com a necessidade do país ter uma companhia que opere a partir de Portugal, que possa chegar às comunidades portuguesas e que vá buscar turistas aos principais mercados.

Contudo, lembra os milhares de milhões que serão necessários injetar numa empresa que só teve lucros em dois dos 45 anos de operação, fazendo uma alusão ao caso BES/Novo Banco.

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