Abusos na Igreja Católica

"Para a Igreja cada caso é uma derrota", responde D. José Ornelas a Marcelo

O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas
O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas
Horacio Villalobos

Bispo de Leiria-Fátima, que está a ser investigado por alegados encobrimentos de abusos sexuais de menores na Igreja, diz que está tranquilo.

D. José Ornelas recusou-se esta quarta-feira a comentar diretamente as polémicas declarações do Presidente da República sobre o número de casos que chegaram à comissão que investiga os abusos na Igreja Católica.

Para o bispo de Leiria-Fátima, “cada caso é uma derrota” porque alguém “foi espezinhado nos seus direitos fundamentais”. Acrescentou ainda:

“Também contradiz radicalmente tudo aquilo que nós queremos, somos e queremos ser como Igreja, a nossa identidade e a nossa missão”, afirmou.

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D. José Ornelas é um dos bispos investigado por alegados encobrimentos de abusos sexuais de menores na Igreja Católica. Esta quarta-feira, mostrou-se “tranquilo” com a investigação e sublinhou que não encobriu casos.

“Não houve encobrimento, houve sim o tratar as coisas segundo aquilo que era possível”, respondeu aos jornalistas numa conferência de imprensa.

O bispo de Leiria-Fátima disse ainda que, se na altura dos acontecimento tivesse o conhecimento que hoje tem, teria adotado uma postura diferente.

Uma vez que termina no final do mês a recolha de depoimentos para efeitos estatísticos, D. José Ornelas apelou às vítimas para apresentarem denúncias à comissão independente.

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Recolhidos mais de 424 testemunhos, Marcelo não considera número “particularmente elevado”

Na terça-feira, a comissão independente para o estudo de abusos sexuais revelou que recebeu, até ao momento, 424 testemunhos, sendo que a maioria dos crimes reportados já prescreveu.

Confrontado com estes números, o Presidente da República não se mostrou surpreendido e disse que não ser “particularmente elevado”.

"Há queixas que vem de pessoas de 90/80 anos que denunciam o que sofreram há 60, 70 ou 80 anos. O que significa que estamos perante um universo de milhões de jovens ou muitas centenas de milhares de jovens que se relacionam com a Igreja Católica, pelo que haver 400 casos não me parece particularmente elevado. Noutros países e com horizontes mais pequenos houve milhares de casos", afirmou.

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa não foram bem recebidas pelos partidos - e não só. Nas redes sociais, as declarações do chefe do Estado provocaram uma onda de indignação e algumas personalidades portuguesas também já as condenaram.

A polémica surge na sequência de uma outra que mereceu críticas de vários quadrantes. O Presidente da República telefonou a D. José Ornelas a informá-lo do envio de uma investigação por alegado encobrimento para o Ministério Público.

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