Eleições Autárquicas

Aumento da abstenção nas autárquicas pode estar relacionado com a campanha eleitoral

Opinião

Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Comentador SIC Notícias

Cristina Figueiredo e Paulo Baldaia analisam os dados de afluência ao voto.

O aumento da abstenção nestas eleições autárquicas é uma das preocupações: segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (MAI), até às 16:00 votaram 42,34% dos eleitores, um valor abaixo do registado em 2017. Cristina Figueiredo, editora da secção de política da SIC Notícias, e de Paulo Baldaia, comentador SIC, analisam os valores e o impacto que a campanha eleitoral pode ter tido na abstenção.

"É muito importante para a saúde da democracia que haja uma abstenção, pelo menos, como a que tivemos há quatro anos - que já baixou um bocadinho em relação a 2013. Era importante mantermo-nos assim", afirma Cristina Figueiredo, referindo que os valores há "muita gente a não ir votar".

Para Paulo Baldaia, o valore da abstenção poderá "ter uma relação direta com a campanha eleitoral", nomeadamente devido à nacionalização dos temas que foram abordados pelos líderes partidários.

"Tivemos uma campanha menos de autárquicas. Falámos menos daquilo que diz respeito à vida nas cidades, nos diferentes concelhos, e falámos muito mais de política nacional. Os líderes estiveram no terreno a falar muito sobre o pós-eleições ou sobre a governação. A determinada altura pareciam mais eleições legislativas do que autárquicas e isso desmobiliza as pessoas", explica.

Também Cristina Figueiredo sublinha que "houve uma nacionalização destas autárquicas" e que se falou "muito pouco dos temas em concreto que importavam aos municípios por deliberada e assumida responsabilidades dos líderes partidários".

"A partir do momento que parece ser opção dos partidos retirarem leituras nacionais dos resultados destas eleições, compreende-se que a escolha dos líderes seja esta - a começar por António Costa da cabeça aos pés. Prejudicados ficam, obviamente, os candidatos municipais, que aparecem como cenário atrás dos líderes e que pouco tempo de antena têm nos meios de comunicação social nacional", lembra a editora de política.

Por serem eleições de proximidade, as autárquicas registam, por norma, valores de abstenção mais baixos que os restantes sufrágios. Entre 2013 e 2017, houve uma descida no número de eleitores que não exerceram o direito ao voto. No entanto, para estas eleições, os números divulgados até agora não são animadores.

"Temo que possa acontecer, pela primeira vez, - espero bem que não - que nas autárquicas haja uma abstenção superior a 50%. Nunca aconteceu, espero que não aconteça desta vez. Mas os números às 16:00 não eram muito bons", afirma Baldaia.

As urnas de voto estão abertas até às 20:00, sendo o resultado provisório do escrutínio divulgado a partir das 21:00 pela Secretaria-Geral do MAI.

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